Quinta-feira, 21 de Julho de 2011

UM “HERÓI” NO PARÁ EM 1838

 

Francisco José de Sousa Soares de Andrea*, se a memória me não falha, era o nome do valente general que pacificou o Pará, por ocasião da cabanagem. Devi a esse homem distincto a satisfação de o ter conhecido pessoalmente, porque elle dignou-se ir de propósito á casa onde eu era caixeiro para me conhecer tambem. Eu tinha apenas onze annos (1838); mas creio poder affirmar, sem immodéstia, que n’aquele tempo, as duas celebridades mais notáveis do Pará (Belém) eram o chefe da província... e eu. Elle distinguia-se pela energia com que batia os cabanos, pelo rigor que mantinha a disciplina militar e provia á defeza da cidade, ainda ameaçada por bandos de facínoras, espalhados pelos rios ou matas próximas; eu, pela audácia com que punia todas as pessoas que me insultavam, sem attenção ao seu tamanho, qualidade, sexo, ou numero, e pela perícia com que lhes qubrava as cabeças, com os pesos das balanças ou com as garrafas de aguardente. A fama do general offuscava um pouco a minha, attendendo-se á posição mais elevada do presidente da província; mas os caixeiros da cidade affrmavam que, em vista da minha idade, eu era muito maior que Andrea!

 

Elle costumava ir frequentemente a casa de um meu vizinho, chamado João Antonio Rodrigues Martins, irmão ou primo do barão de Jaguarari, que ficava fronteira ao estabelecimento onde eu era caixeiro. Das janellas d’essa casa via-se toda a rua da Paixão, até ao largo do palácio do governo; passavam por ali ás vezes os presos cabanos, agarrados nos matos mais próximos de Santo Antonio, Reducto e Paúl de Agua, e não raro era que o presidente desse instrucções ás escoltas que os conduziam, quando lhes passavam por baixo das janellas, mandando fazer nesses assassinos justiça summaria.

 

Dois soldados conduziam um preso, segurando-o cada um do seu lado, pela cintura, e levando as baionetas desembainhadas. Andrea, que estava conversando ao pé da janella, viu-os e gritou:

- Ó soldado! Quem é esse homem?

- É o Diamante, meu general.

- O Diamante?!

- Sim, senhor.

- Tens a certeza d’isso?

 

O preso, que era homem de cor, entre preto e mulato, dos que no paiz denominam cafuzes, alto, musculoso, de olhar feroz e atrevido, voltou-se para a janella, onde se tinha reunido a família da casa, e, depois de encarar por um instante o general e as outras pessoas, disse:

- Vosserencia custa á capacitá que sô eu mesmo? Tem razão; Diámante não deixava apanhá por seu sordado, si não tivesse caído quando corria em Páu d’Agua. Agora pode matá Ere, que já vingou, picando muito sordado de vosserencia. E tem pena de não matá vosserencia mesmo.

 

Toda a família se retirou para dentro, revoltada com a insolência do preso. Andrea disse para o soldado, deitando-lhe á rua um bilhete, rapidamente escripto a lapis

- "Dize lá ao ajudante, Que sendo esse o Diamante, o mande já lapidar".

- Não sei se elle teve a intenção de fazer versos; mas as palavras soaram-me do modo por que as escrevi nos meus apontamentos, há mais de trinta anos, e como transcrevo agora. Penso que Andrea não desgostava de rimar... mas corria como certo, no Pará, onde havia milhares de anedoctas a respeito de Andrea, umas comicas e com pilhas de graça, outras dramáticas ou trágicas. Em todas as províncias onde elle exerceu comando, ficou um homem lendário. Com relação ao Pará, foram immensos os serviços que ali prestou, e sem a sua grande energia não se tinha pacificado a província em tão pouco tempo. Elle saía de noite, disfarçado, para rondar as guardas e sentinelas, e era implacável com as apanhasse dormindo. Alguns negociantes, portuguezes e brazileiros, que tinham sido obrigados a sentar praça n’um corpo de policia, para defeza da cidade e sua própria, foram por vezes duramente punidos, até com pauladas, por infracções de disciplina! Os cabanos estavam costumados a zombar das auctoridades legaes, que dormiam muito; por isso só quando que Andrea os lapidava sem piedade, é que se convenceram de que havia passado o seu S. Martinho.

 

Resta-me explicar por que motivo tive a honra de ser visitado por aquelle homem distincto. No prefacio do “Cantos Matutinos” ** referi uma das minhas proezas, a qual foi eu ter batido com uma grande colher, cheia de manteiga, na cara de um escravo do presidente do Pará. Quando o mulato recolhia a(o) palácio, pingado desde a cabeça até aos pés, e com os olhos vermelhos do sal da manteiga, encontrou o senhor, que se dirigia para casa dos meus vizinhos. Sabedor do caso, o general entrou no estabelecimento, onde eu estava chorando, com as dores das palmatoadas que recebêra do meu ingrato patrão, por premio de tão glorioso feito.

- Foi o senhor quem quebrou a cara do meu escravo?

- Fui; e por causa daquelle patife, apanhei duas dúzias de palmatoadas!...

- Bem merecidas!

- O senhor diz-me isso?!

- Aposto que me quer dar também com a colhér de manteiga?!

- Chame-me gallego, marinheiro, bicudo ou pé de chumbo***, como fez o biltre do seu escravo... e verá!

Andrea quis sorrir-se e fez uma careta medonha. O motivo, que só mais tarde comprehendi, provinha de elle também ser portuguez; mas fizera-se brazileiro e não gostava que lhe lembrassem essas diffrenças.

- O meu rapaz chamou-lhe esses nomes?

- Por que lhe bateria eu?!

- Quem sabe?! Vejo-o quase todos os dias atirar pedras aos pretos, quebrar cabeças e fazer tanta bulha n’esta rua!...

- É porque não estou resolvido a deixar-me insultar.

- Quantos annos tem?

- Onze.

- Promete! Continue assim, que há-de ir longe!

 

Saíu; e eu, que tomei a ironia por um cumprimento, fiquei todo vaidoso e ufano de ter ensinado o escravo, sem me lembrar já da sova que isso me custára. D’ahi em diante, quando via passar o homem ilustre, que tinha querido conhecer-me, perfilava-me ao balcão, á espera de novo elogio; mas o grande marechal nunca mais se dignou olhar para mim, nem o seu creado tornou ao estabelecimento!

 

O meu patrão, despeitado com a perda do freguez, poz-me fora por incorregivel!

 

Assim se apreciam e premeiam as mais bellas acções!

 

 

De “O Cedro Vermelho” – vol 2 – de Francisco Gomes de Amorim, 1874. Manteve-se a ortografia original.

 

*- O general Andrea nasceu em Lisboa em 1781 e morreu em São José do Norte

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Segunda-feira, 4 de Julho de 2011

OS MENINOS DA SALBANDA

Ouro Preto 

Ouro Preto ( Fonte: Wikipedia)

 

 

Contam as lendas e histórias de Minas Gerais, do tempo do Brasil Colónia, que quando o ouro foi achado naquelas paragens por uma expedição oficial do castelhano Francisco Bruza de Espinosa, conhecedor de minas auríferas, os interesses dos colonizadores e da Coroa voltaram-se para a procura do reluzente metal. Os trabalhos de busca eram executados a céu aberto, na garimpagem de córregos e rios e na escavação subterrânea de morros e montanhas, onde supunham estar as jazidas. Sem mão de obra especializada e suficiente, mais uma vez os colonos e a Coroa portuguesa recorreram à compra de escravos africanos, como já haviam feito os plantadores de cana e senhores de engenho. A maioria dos negros vinha de Angola e de São Jorge da Mina, na África. No porto de Paraty, no Rio de Janeiro, os sobreviventes à desumana travessia marítima eram comprados e levados, escoltados, pelos tropeiros.

Amarrados, descalços, adultos e crianças, maltrapilhos, seguiam a pé pela Estrada Real até a região aurífera (principalmente Vila Rica, Mariana, Sabará, São João Del Rei. e Tijuco). O caminho seguido pelos escravos era outra epopeia, desta vez terrestre, até chegarem ao seu triste destino.

 

Mineradores (Rugendas) 

Rugendas (Mineradores )

Fonte: Enciclopédia Itau cultural

 

 

Naquela região mineira os africanos eram escolhidos para os serviços de mineração, gerais, ou domésticos, de acordo com a aptidão física. Os de compleição longilínea e forte iam para o transporte das sinhás, eram os carregadores de liteiras, usados também nos serviços para toda a obra. Os de porte baixo e atarracado, em geral da região da Mina, eram mais procurados para os trabalhos de exploração nas minas.

 

A busca subterrânea do ouro era feita de maneira rudimentar. As escavações e retirada do material rochoso parava quando atingiam o lençol freático e se formavam poços alagados nos fundos dos buracos.

Lavrava-se apenas o ouro encontrado na jacutinga, salbanda e nos itabiritos. No auge do ciclo do ouro mineiro ( 1695 a 1800), quando chegaram a resgatar só em Vila Rica e Mariana cerca de 700 toneladas de ouro, eram tantos os escravos que numericamente chegavam quase à metade da população da Capitania.

 

Mal alimentado, vivendo em senzalas úmidas e atulhadas, trabalhando de sol a sol em ambiente insalubre, mal iluminado por tochas de sebo, com pouca aeração e arriscado, o negro minerador não durava muito tempo. Os jovens raramente passavam dos vinte e um anos. Após um curto período de trabalhos de 5 a 7 anos, se não pereciam antes em acidentes e soterramentos, nas minas, morriam de doenças cardiorrespiratórias (tuberculose, silicose, pneumonias) e anemias.

 

Nos poços verticais furados na rocha, por serem lugares exíguos e estreitos, de difícil acesso, utilizavam crianças pequenas (mais de 7 anos) para atingir a salbanda, camada intermediária da rocha, facilmente escavável, naquela região rica em ouro. Os negrinhos desciam os estreitos e íngremes degraus, escavados na própria rocha, para retirar o material que colocavam numa bolsa de couro. Na subida de volta, se resvalavam, caiam arrastando consigo os outros que vinham atrás. Muitos morriam sufocados ou feridos, abandonados na escuridão do fundo do poço. Dizem os moradores da região, os mais antigos, que ainda pode-se encontrar ossos dessas crianças da
salbanda, que ficaram esquecidos dentro de buracos, nas minas.

 

Apesar das condições miseráveis em que viviam, era permitido aos escravos garimparem por conta própria aos domingos e dias santos. O ouro que arrebanhavam dessa maneira e de forma ludibriosa (engoliam ou escondiam pepitas na carapinha, e até enterravam com os defuntos ouro, em covas rasas, no cemitério de escravos...) era utilizado para comprarem a alforria e para fundarem Irmandades negras (Nossa Senhora do Rosário) que ajudavam outros escravos.

 

À custa de grandes sacrifícios e sofrimentos, o ouro que os negros africanos tiraram das terras mineiras alucinou a imaginação de Senhores, atiçou a cobiça de aventureiros, provocou muitas mortes e brigas, engrandeceu a imagem arquitetônica da Igreja, construiu e embelezou palácios, abriu caminhos, fez surgir cidades, criou em Minas Gerais uma cultura barroca específica, ajudou a reconstruir cidades na Europa, enriqueceu os cofres de Estados estrangeiros e , após tantos anos, ainda alavanca a economia do país e desperta a curiosidade histórica.

 

 

 Maria Eduarda Fagundes

Uberaba, 30 de junho de 2011

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Quarta-feira, 29 de Junho de 2011

ESPETÁCULO DAS FESTAS JUNINAS

 

 

29 DE JUNHO, DIA DE SÃO PEDRO

 

 

É impressionante a força popular das Festas Juninas, no Brasil.

 

Ao chegar o mês de Junho, as Festas desabrocham, por toda a parte. Explodem como um vulcão, espargindo alegria para toda a agente.

Nas cidades, nos campos e pelos sertões, as Festas Juninas desenvolvem-se com a mesma alegria, informal e contagiante. Reúne pessoas de todos os níveis sociais, solidariamente, divertindo-se  num mesmo diapasão.

 

O povo brasileiro é um povo alegre e festeiro. Num mundo monetarizado e consumista, as Festas Juninas resistem cada vez mais revitalizadas, nos braços do povo, quebrando barreiras de espaços e de classes sociais. As Festas Juninas são festas de toda a gente.

 

As Festas Juninas, no Brasil, teoricamente, encerram-se com a Festa de São Pedro, no dia 29. Nada impede, no entanto que as Festas continuem até o começo de Julho, como acontece, em muitos lugares.

 

Em muitas regiões, há festejos organizados pelas autoridades públicas, em grandes espaços, e outros organizados pelas instituições, em datas diferentes. São eventos que atraem muita gente.

 

As Festas Juninas são espetáculos muito ricos e diversificados... Leia mais, clique:

 

http://tribunalusofona.blogspot.com/2011/06/espetaculo-das-festas-juninas-29-de.html

 

 

José João Peralta

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Sexta-feira, 24 de Junho de 2011

PARA QUÊ ESCOLA?

Ficheiro:Saladeaula itapevi.jpg

Sala de aula de uma escola em Itapevi, em São Paulo

Fonte: Wikipedia, enciclopédia livre.

 

Famílias desestruturadas, falta de instrução e educação dos pais e responsáveis, dificuldades sociais e falta de tempo, pobreza material e de espírito, têm passado para a escola, também cada vez mais despreparada, a responsabilidade de educar as crianças brasileiras.

 

No afã de se mostrar politicamente competente em tirar a sociedade brasileira da ignorância, do preconceito e do subdesenvolvimento, os últimos governos terceirizam serviços (ONGs) e aprovam programas educacionais de espantar a cabeça, a mais simplória que seja.

 

Tudo parece ser feito sem cuidado e reflexão, atabalhoadamente. Erros grosseiros e vazamentos nas questões das provas do ensino médio (ENEM), professores tolerantes com atitudes agressivas e desrespeitosas, tudo em nome de um programa educacional equivocado que visa combater as desigualdades na Escola. É elementar, todos sabem: só a obrigatoriedade, gratuidade e qualidade no ensino fundamental dão, de facto, oportunidades iguais a todas as crianças brasileiras. Não é dando, a toque de caixa, faculdades deficientes que formam profissionais incompetentes para um mercado de trabalho cada vez mais exigente.

 

A escola, insuficiente, dá cotas, tratamento diferenciado, evidenciando que cidadania não é a mesma para todos, que tem meio-peso e meias-medidas, dependendo se é índio, branco ou preto, se é rico ou pobre, se é “Mané” ou presidente. E agora, para agravar a situação, corrigir erros de concordância e ortografia da língua portuguesa, acreditem, é discriminação!

 

Não é na escola que se aprende a forma culta da língua, que é bem falando e escrevendo que todos melhor se entendem? Não é a escola o meio mais democrático, a escada para ascensão sócio-económica? Para que então estudar, “queimar as pestanas”, se é permitido e aceito falar e escrever de qualquer maneira? Afinal, nem todo o mundo pode ser jogador de futebol ou estrela da Globo para brilhar na mídia!

 

É vergonhoso e denota desserviço à comunidade estudantil distribuir livros didácticos que, não revisados pelas autoridades competentes,
ensinam que 5+7 =11. Para que ir à escola se esta para combater o preconceito, sem apoio de profissionais especificamente capacitados para esclarecimentos, em vídeos e livretos, mostra a crianças em processo de desenvolvimento (físico, psíquico e sexual) alterações de comportamento e experiências sexuais, com pessoas do mesmo sexo, não raramente especulativas e passageiras, que podem acontecer nessa época, como se isso fosse a constatação de uma homossexualidade embutida, patente. O homossexualismo é um desvio na formação da identidade sexual do indivíduo que pode ter origem genética, hormonal, psicossocial ou após-traumática (acidentes e doenças). Como, por exemplo, o diabético, o homossexual é um indivíduo que deve ser compreendido e ajudado, respeitado como qualquer outro cidadão.

 

O que se passa na mentalidade daqueles que governam este país? O que esperam para o futuro, ensinando sem respaldo consciente e competente as nossas crianças? Nessas circunstancias para que ir à escola se a nossa Constituição garante: basta ser brasileiro e saber ler, qualquer pode ser presidente!

 

 Maria Eduarda Fagundes

Uberaba, 23/06/11

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Quinta-feira, 16 de Junho de 2011

A ÍNDOLE SERTANEJA

 

 

Naqueles tempos a braveza e dureza de corpo e de espírito eram qualidades indispensáveis  ao êxito das empresas dos desbravadores. Muitos chegaram à crueldade. Isto é confirmado nas histórias do
sertão. 

 

Contam os livros que, na ultima e grande bandeira que liderou (1674 a 1681), Fernão Dias Paes Leme enfrentou muitas dificuldades, doenças,  desistências e até uma tentativa de traição encabeçada pelo seu filho mameluco, José Paes Leme. Este achava que o pai devia regressar, pois há anos procurava as esmeraldas pelos sertões, sem nenhum resultado. Dizia que o pai devia estar louco para tanta
insistência.

 

Fernão Dias de Paes Leme

(São Paulo, c. 1608 – sertão do Espírito Santo; provavelmente Quinta do Sumidouro, em 1681)

 

Uma noite, no acampamento, uma das índias da expedição, agregada à bandeira de Fernão, ouviu o plano de José Paes Leme e dos rebeldes para afastá-lo de vez da direcção do grupo. Fiel ao velho bandeirante, delatou o filho dele. Não houve dúvidas, para manter o controle, como dono da vida e da morte de seus comandados, o sertanista  julgou e condenou os traidores. Porém, para demonstração de força e frieza, perdoou todo menos o filho que fez enforcar para exemplo.

 

Para mais uma ilustração da índole rude dessa gente do sertão, vou contar um caso recente (há mais ou menos 50 anos) do antigo dono
da  fazenda que meu marido herdou,  junto às terras de Goiás. Famoso pela sua valentia, bruto nas abordagens, o  Coronel  C.V, suspeitou que estava sendo traído pela mulher. Inventou uma viagem e foi-se embora. No dia seguinte reapareceu sorrateiramente na fazenda e flagrou a esposa com um dos agregados, em plenas demonstrações de amor, debaixo de uma jabuticabeira carregada de frutos.  Truculento, rendeu os amantes,  gritou para seus empregados que, temerosos, amarraram os dois.  Para horror da assistência,  com uma facção, C.V. "capou" o pobre coitado que urrava de dor, todo ensanguentado. Não se conhece o destino do "capado", mas da mulher se sabe que continuou em casa, fazendo os trabalhos domésticos, após ser obrigada pelo marido a comer os testículos do amante na frente de todos. Naquele ano ninguém comeu as doces jabuticabas.

 

Mª Eduarda Fagundes 2010.jpg Maria Eduarda Fagundes

Uberaba, 21/05/11

 

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Quarta-feira, 6 de Abril de 2011

AS PRIMEIRAS MANIFESTAÇÕES LITERÁRIAS BRASILEIRAS

 

 

Descrição do Rio de Janeiro no século XVI (Fernão Cardim)

 

O jesuíta Padre António Vieira

Autor desconhecido

Fonte: Enciclopédia Delta Universal

 

A cidade está situada em um monte de boa vista para o mar, e dentro da barra tem uma baía que parece que a pintou o “supremo pintor e arquitecto do mundo,” Deus Nosso Senhor, e assim é coisa formosíssima e a mais aprazível que há em todo o Brasil, nem chega à vista do Mondego e Tejo. É tão capaz que terá vinte léguas em roda, cheia pelo meio de muitas ilhas frescas de grandes arvoredos, e não impendem a umas as outras, que é o que lhe dá graça; tem a barra meia légua da cidade, e no meio dela uma lájea de sessenta braças de comprimento, e bem larga que a divide pelo meio, e por ambas as partes tem caudal bastante para naus da Índia. Nesta lájea manda El Rei fazer fortaleza e ficará coisa inexpugnável, nem se lhe poderá esconder um barco. A cidade tem cento e cinquanta vizinhos com seu vigário, e muita escravaria da terra.”

 

Narrativa Epistolar de uma viagem

 

Fernão Cardim nasceu em ano incerto, na década de 1540 em Viana do Alentejo (Portugal), e morreu em 1625, na Aldeia de Abrantes, Bahia (Brasil). Foi um jesuíta português que em 1566 ingressou na Ordem fundada por Inácio de Loyola e que em 1583 veio para o Brasil com o governador Manuel Teles Barreto e com o visitador Cristóvão de Gouveia. Depois de percorrer as capitanias da Bahia, Ilhéus, Porto Seguro, Pernambuco, Espírito Santo, Rio de Janeiro, e São Vicente (São Paulo), escreveu cartas e textos importantes para a Companhia de Jesus sobre as terras do novo mundo. Suas anotações seriam posteriormente fonte de pesquisa histórica e etnográfica para colonos, missionários e estudiosos dos primeiros tempos do Brasil Colónia.

 

Fernão Cardim foi reitor do Colégio dos Jesuítas na Bahia e do Colégio de São Sebastião, em 1596, no Rio de Janeiro.

 

Em Roma é eleito Provincial do Brasil. Na viagem de volta ao país, em 1601, o barco aonde vinha é tomado pelo corsário inglês Francis Cook. Aprisionado, é levado para Londres e seus manuscritos sobre as terras, as plantas, o clima, e os índios do Brasil são confiscados. Após ser resgatado pela Companhia de Jesus, volta pela segunda vez ao Brasil e assume finalmente em 1604 o cargo de provincial. Vinte e quatro anos depois, em 1625, ano da sua morte, parte do seu trabalho (Do clima, e da terra do Brasil. Do principio e da origem dos índios do Brasil) é editado em Londres pela primeira vez, na língua inglesa, dando como autor Manuel Tristão, português que viveu muito tempo no país. Porém, no final do século XIX, o historiador brasileiro Capistrano de Abreu identificou o verdadeiro autor.

 

Após publicações em Portugal e Brasil no século XIX, Rodolfo Garcia reuniu e editou em 1925 todos os textos conhecidos da obra de Fernão Cardim sob o título Tratado da Terra e gente do Brasil.

 

No Brasil, os trabalhos escritos pelos jesuítas dos séculos XVI e XVII são na maioria das vezes descritivos, informativos, voltados principalmente para a educação e catequese dos colonos e indígenas, são as primeiras manifestações literárias brasileiras.

 

  Maria Eduarda Fagundes

Uberaba, 22/02/11

 

Fontes:

Enciclopédia Delta Universal

António Salles Campos (Português Colegial)

Wikipédia

 

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Quarta-feira, 2 de Março de 2011

PARABÉNS UBERABA

 Brasão de Uberaba - MG

Brasão da cidade

 

Hoje, 2 de Março, Uberaba está em festa de aniversário.

 

A região outrora ocupada pelos índios caiapós foi conquistada e ocupada graças à política do governo pombalino que promoveu campanhas militares de combate aos indígenas e quilombolas, e à distribuição de sesmarias aos colonos que resolvessem desbravar os sertões.

 

Com a abertura do caminho (Picada) de Bartolomeu Bueno Filho que ligava São Paulo a Goiás, para escoar a produção de ouro, e à instalação de colonos nas suas margens, após muitas lutas, com a ajuda de militares, fazendeiros, escravos e índios aculturados formou-se um arraial e depois uma freguesia com uma capela dedicada a Santo António e São Sebastião (02/03/1820). Seria o futuro embrião da cidade de Uberaba (Y-beraba= águas brilhantes), princesinha do Sertão.

 

(*)

 

Desde que o sargento-mor António Eustáquio da Silva e Oliveira construiu a Chácara da Boa Vista e fundou uma povoação às margens do córrego da Laje, Uberaba cresceu em população (hoje com cerca de 290 mil habitantes), em oferta de serviços, e em situação socio-económica. Do poder quase ilimitado dos ” coronéis”, grandes políticos e latifundiários, que aí surgiram nos últimos dois séculos, à força do agro negócio, com destaque na produção de grãos e na pecuária (Uberaba é referencia nacional em gado zebu), além de ser cidade-pólo na saúde e educação, oferecendo Universidades Federal e particular para a juventude da região, já se passaram 191 anos. É ainda uma cidade nova que, se for bem conduzida, terá um futuro promissor a oferecer a seus filhos, naturais e adoptivos, mineiros do interior que acreditaram nas suas forças.

 

 Mª Eduarda Fagundes 2010.jpg Maria Eduarda Fagundes

 

Uberaba, 02/03/20011

 

Nota curiosa: Segundo a história da família do fundador de Uberaba, o ex-presidente da Republica, Fernando Henrique Cardoso é tetra-neto do capitão-general José Manuel da Silva e Oliveira

 

Dados: http://www.siaapm.cultura.mg.gov.br/modules/brtexport/index.php?cid=15&mid=31&full_pdf=1,

 

(*) http://www.google.pt/imgres?imgurl=http://fabulousbandits.com/deadbanditstour/wp-content/uploads/2010/10/uberaba1000.jpg&imgrefurl=http://fabulousbandits.com/deadbanditstour/&usg=__v87sq4W-KyP8MpNmunMNje_0bPo=&h=402&w=800&sz=136&hl=pt-pt&start=0&sig2=mjUy0s_V9ZRo-n73e1ZkCg&zoom=1&tbnid=pHfVQM_kPmGBsM:&tbnh=95&tbnw=190&ei=j71uTYWeD4nXtAaesvTxBw&prev=/images%3Fq%3Duberaba%26um%3D1%26hl%3Dpt-pt%26sa%3DN%26biw%3D1007%26bih%3D681%26tbs%3Disch:1&um=1&itbs=1&iact=rc&dur=187&oei=j71uTYWeD4nXtAaesvTxBw&page=1&ndsp=17&ved=1t:429,r:1,s:0&tx=129&ty=55

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