Terça-feira, 12 de Abril de 2011

VOZES DO MAR


Quando o sol vai caindo sobre as águas
Num nervoso delíquio d'oiro intenso,
Donde vem essa voz cheia de mágoas
Com que falas à terra, ó mar imenso?...

Tu falas de festins e cavalgadas
De cavaleiros errantes ao luar?
Falas de caravelas encantadas
Que dormem em teu seio a soluçar?

Tens cantos d'epopeias? Tens anseios
D'amarguras? Tu tens também receios,
Ó mar cheio de esperança e majestade?!

Donde vem essa voz, ó mar amigo?...
... Talvez a voz do Portugal antigo,
Chamando por Camões numa saudade!


Florbela Espanca

 

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Sexta-feira, 8 de Abril de 2011

SER MULHER

 (*)

Ah, ser mulher!

Ser mulher é ver o mundo com doçura,
É admirar a beleza da vida com romantismo.
É desejar o indesejável.
É buscar o impossível.

O poder de uma mulher está em seu instinto
Porque a mulher tem o dom de ter um filho,
E cuidar de vários outros filhos que não são seus.

Ah, as mulheres!
Ainda que sensíveis
Mulheres conseguem ser extremamente fortes
Mesmo quando todos pensam que não há mais forças.

Mulheres cuidam de feridas e feridos
E sabem que um beijo e um abraço
Podem salvar uma vida,
Ou curar um coração partido.

Mulheres são vaidosas,
Mas não deixam que suas vaidades
Suplantem seus ideais.

Muitas mulheres mudaram o rumo
E a história da humanidade
Transformando o mundo
Em um lugar melhor.

A mulher tem a graça de tornar a vida alegre e colorida,
E ela pode fazer tudo isto quantas vezes quiser
Ser mulher é gostar de ser mulher
E ser indiscutivelmente feliz
E orgulhosa por isso.

Brunna Paese

Curitiba

 

(*)http://ivanirfaria.wordpress.com/2011/02/14/poesia-inedita-brunna-paese/

 

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Sexta-feira, 25 de Março de 2011

POEMA DE PORTUGAL

 

Vejo em tudo o teu nome,

Pátria minha,

Quando gente anónima,

Me interroga com o olhar.

Muitas vezes te cantei,

Em silêncio, secretamente.

Estás sozinha!

Infelizmente!

És contraste de gerações,

De língua e dialectos.

Ouço os clarins da revolta,

Mil palpitar de corações,

A transbordar afectos.

Há gente que se solta…

Posso fazer nada.

Há gente que zomba

Do meu desgosto.

Há gente afectada,

Que tomba,

Rindo caídos no chão.

Há lágrimas

Que me correm no rosto,

Outras molham-me o coração.

 

 Luís Santiago(3) Luís Santiago

 

POEMAS DA INSÓNIA II

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Sexta-feira, 18 de Março de 2011

METADE

 

Que a força do medo que eu tenho,

Não me impeça de ver o que anseio.

 

Que a morte de tudo o que acredito

Não me tape os ouvidos e a boca.

 

Porque metade de mim é o que eu grito,

Mas a outra metade é silêncio...

 

Que a música que eu ouço ao longe,

Seja linda, ainda que triste...

 

Que a mulher que eu amo

Seja para sempre amada

Mesmo que distante.

 

Porque metade de mim é partida,

Mas a outra metade é saudade.

 

Que as palavras que eu falo

Não sejam ouvidas como prece

E nem repetidas com fervor,

Apenas respeitadas,

Como a única coisa que resta

A um homem inundado de sentimentos.

 

Porque metade de mim é o que ouço,

Mas a outra metade é o que calo.

 

Que essa minha vontade de ir embora

Se transforme na calma e na paz

Que eu mereço.

 

E que essa tensão

Que me corrói por dentro

Seja um dia recompensada.

 

Porque metade de mim é o que eu penso,

Mas a outra metade é um vulcão.

 

Que o medo da solidão se afaste

E que o convívio comigo mesmo

Se torne ao menos suportável.

 

Que o espelho reflicta em meu rosto,

Um doce sorriso,

Que me lembro ter dado na infância.

 

Porque metade de mim

É a lembrança do que fui,

A outra metade eu não sei.

 

Que não seja preciso

Mais do que uma simples alegria

Para me fazer aquietar o espírito.

 

E que o teu silêncio

Me fale cada vez mais.

 

Porque metade de mim

É abrigo, mas a outra metade é cansaço.

 

Que a arte nos aponte uma resposta,

Mesmo que ela não saiba.

 

E que ninguém a tente complicar

Porque é preciso simplicidade

Para fazê-la florescer.

 

Porque metade de mim é plateia

E a outra metade é canção.

 

E que a minha loucura seja perdoada.

 

Porque metade de mim é amor,

E a outra metade...

Também

 

Ficheiro:Ferreira Gullar crop.png Ferreira Gullar

 

 

Ferreira Gullar, pseudónimo de José Ribamar Ferreira (São Luís, 10 de Setembro de 1930) é um poeta, crítico de arte, biógrafo, tradutor, memorialista e ensaísta brasileiro e um dos fundadores do neoconcretismo.

Em 1950 ganhou o concurso de poesia promovido pelo Jornal de Letras com o poema "O Galo".

No teatro, em 1966, com "Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come" na que é considerada uma obra prima do teatro moderno brasileiro, ganhou os prémios Molière e Saci.

Em 2002, foi indicado por nove professores dos Estados Unidos, do Brasil e de Portugal para o Prémio Nobel de Literatura.

Em 2007, o seu livro Resmungos ganhou o Prémio Jabuti de melhor livro de ficção do ano.

O livro, editado pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, reúne crónicas de Gullar publicadas no jornal "Folha de São Paulo" no ano de 2005.

Foi considerado pela Revista Época um dos 100 brasileiros mais influentes do ano de 2009.

Foi agraciado com o Prémio Camões 2010.

(para saber mais, v. http://pt.wikipedia.org/wiki/Ferreira_Gullar)

 

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Segunda-feira, 14 de Março de 2011

Soneto quase inédito

 

Surge Janeiro frio e pardacento,

Descem da serra os lobos ao povoado;

Assentam-se os fantoches em São Bento

E o Decreto da fome é publicado.

 

Edita-se a novela do Orçamento;

Cresce a miséria ao povo amordaçado;

Mas os biltres do novo parlamento

Usufruem seis contos de ordenado.

 

E enquanto à fome o povo se estiola,

Certo santo pupilo de Loyola,

Mistura de judeu e de vilão,

 

Também faz o pequeno "sacrifício"

De trinta contos – só! - por seu ofício

Receber, a bem dele... e da nação.

 

 JOSÉ RÉGIO

 

 

José Régio, pseudónimo de José Maria dos Reis Pereira, (Vila do Conde, 17 de Setembro de 1901 — Vila do Conde, 22 de Dezembro de 1969) foi um escritor português que viveu grande parte da sua vida na cidade de Portalegre (de 1928 a 1967). Foi possivelmente o único escritor em língua portuguesa a dominar com igual mestria todos os géneros literários: poeta, dramaturgo, romancista, novelista, contista, ensaísta, cronista, jornalista, crítico, autor de diário, memorialista, epistológrafo e historiador da literatura, para além de editor e diretor da influente revista literária Presença, desenhador, pintor, e grande colecionador de arte sacra e popular. Foi irmão do poeta, pintor e engenheiro Júlio Maria dos Reis Pereira.

 

Para saber mais, v. Wikipédia em http://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_R%C3%A9gio

 

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Domingo, 27 de Fevereiro de 2011

CULTO À MÃE

 

 

 

É o tema com que rendo a minha mais sentida homenagem a minha extremosa MÃE e a todas as MÃES que já partiram e deixaram em nós uma profunda e eterna saudade.

 

http://www.euclidescavaco.com/Poemas_Ilustrados/Culto_a_Mae/index.htm

 

Aceite o meu convite e venha tomar comigo um cálice de poesia.

 

Entre por aqui na minha sala de visitas e saboreie da que mais gostar...

 

www.ecosdapoesia.com

 

Euclides Cavaco

Canadá

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