Quinta-feira, 3 de Março de 2011

RAIZ, TRONCO E FLOR DA LÍNGUA MÃE

 (*)

 

De entre uma plêiade muito vasta de gente que devotou parte considerável da sua vida à divulgação da Língua Portuguesa no mundo e à dilatação do conhecimento da nossa cultura e do nosso património -desde Luís de Camões a António Sérgio, de Vasco da Gama e de outros nautas portugueses a Agostinho da Silva, de João de Deus a Vitorino Nemésio, ou de Fernando Pessoa a Amália Rodrigues e aos nomes incógnitos dos leitores de português nas universidades estrangeiras - difícil se nos tornou escolher um nome qualquer para este trabalho. Quase que ao acaso, optámos por alguém nascido em Lisboa nos primórdios do século XVII.

 

Embora tivesse largado o chão natal muito cedo, com pouco mais de sete anos de idade, rumo ao Brasil, acompanhando seus pais que para lá emigraram, ali começou os seus estudos e aos quinze ingressava, por vocação religiosa inabalável despertada por um sermão que ouvira, no noviciado da Companhia de Jesus.

 

Vocacionado para o estudo das humanidades, já aos dezassete se atrevia a debruçar-se e comentar textos de Séneca e de Ovídio e, logo após, dissertar sobra a Bíblia e acerca da doutrina emanada do "Cântico dos Cânticos".

 

Aluno de excepcional craveira na disciplina de filosofia, os seus superiores tiveram que impedi-lo de se votar à evangelização dos pagãos, por lhe reconhecerem asas mais largas para as abrir ao mundo inteiro.

 

O Padre António Vieira que ascendeu ao sacerdócio com vinte e sete anos de idade, passou, desde então, a leccionar teologia numa sequência natural dos sermões que já então proferia com louvor dos seus mestres que chegaram ao ponto de dizer que nada tinham para lhe ensinar.

 

Aliava à dimensão dos seus conhecimentos e ao carisma da sua eloquência um talento enorme na oratória que logo às primeiras palavras prendia quem o escutava.

 

Naturalmente que, deste modo, é fácil de adivinhar o quanto o seu nome se projectou para fora do Brasil, levando aos confins do mundo a sua língua-mãe e a sua mística doutrinária.

 

O nome de Portugal que, já antes, vinha sendo divulgado pelos nautas de Quinhentos, em África e no oriente, mormente nos padrões afixados nos territórios que se iam descobrindo, exibindo as armas da lusa gente, viu-se, pela riqueza da escrita e pela luz das palavras proferidas por aquele sacerdote, ainda mais elevado no conceito universal.

 

Se uns plantavam um monumento de pedra ... Vieira semeava palavras no espírito. E foi raiz! E foi tronco! E foi flor da Língua que os portugueses, ainda hoje, continuam falando!

 

O Padre António Vieira, falecido há mais de 340 anos - por toda a obra que deixou, por toda a divulgação que fez da nossa Língua, pela força da riqueza da sua palavra ainda viva na nossa História - tal como Camões ou como outros tais, não morreu.

 

Há gente que tem o dom da imortalidade. Vieira é um deles.

 

 João Baptista CoelhoJoão Baptista Coelho

 

(trabalho apresentado em 2010 aos XI Jogos Florais do ELOS CLUBE DE TAVIRA, ao qual foi atribuído o 1º Prémio na modalidade de Prosa/Biografia)

 

(*) http://www.google.pt/imgres?imgurl=https://1.bp.blogspot.com/_HUi9w1vimO8/R62ZgcQnSSI/AAAAAAAAAFU/fRzwESmEhGY/s400/Padre%2BAnt%C3%B3nio%2BVieira.jpg&imgrefurl=http://embaixada-portugal-brasil.blogspot.com/2010_10_31_archive.html&usg=__STljL4lB2i3wWDb-4okeU0OrSWE=&h=217&w=267&sz=8&hl=pt-pt&start=0&zoom=1&tbnid=EEq1lz8-phA98M:&tbnh=161&tbnw=178&ei=pbJvTZfbJsWBOq2k4b8G&prev=/images%3Fq%3DPadre%252BAnt%25C3%25B3nio%252BVieira%26um%3D1%26hl%3Dpt-pt%26sa%3DN%26biw%3D1007%26bih%3D681%26tbs%3Disch:1&um=1&itbs=1&iact=rc&dur=452&oei=pbJvTZfbJsWBOq2k4b8G&page=1&ndsp=17&ved=1t:429,r:8,s:0&tx=93&ty=63

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publicado por elosclubedelisboa às 15:19
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