Terça-feira, 21 de Junho de 2011

AVÉ MARIA – JORGE ARAGÃO

bandeira de Cabo-Verde, carregada por contando historias no flickr Cabo Verde 

 

http://www.youtube.com/watch?v=v97YvRmD_Yo&feature=related

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Segunda-feira, 20 de Junho de 2011

PIB PER CAPITA DOS 181 PAISES MEMBROS DO FMI

Base: Ano de 2010

 

Fonte: Fundo Monetário Internacional (FMI)

 

 

 

 

Clas.

PAÍS

US$

1

 Qatar

88,232

2

 Luxemburgo

80,304

3

 Singapura

57,238

4

 Noruega

52,238

5

 Brunei

47,200

6

 Estados Unidos

47,123

 Hong Kong

45,277

7

Suíça

41,765

8

 Países Baixos

40,777

9

 Austrália

39,692

10

 Áustria

39,454

11

 Canadá

39,033

12

 Irlanda

38,685

13

Kuwait

38,293

14

 Suécia

37,775

15

Emirados
  Árabes Unidos

36,973

16

 Dinamarca

36,764

17

 Islândia

36,681

18

 Bélgica

36,274

19

 Alemanha

35,930

20

 Reino Unido

35,053

21

Taiwan

34,743

22

 Finlândia

34,401

23

 França

34,092

24

 Japão

33,828

25

 Coreia do Sul

29,791

26

 Espanha

29,651

27

 Itália

29,418

28

 Israel

29,404

29

 Grécia

28,833

30

 Chipre

28,045

31

 Eslovénia

27,899

32

 Nova Zelândia

27,460

33

Bahrein

26,807

34

Omã

26,197

35

Bahamas

25,884

36

 República Checa

24,987

37

Seychelles

24,837

38

 Malta

24,081

39

Arábia Saudita

23,742

40

 Portugal

23,113

41

Barbados

22,296

42

 Eslováquia

22,267

43

Trinidad e Tobago

20,137

44

 Polónia

18,837

45

 Hungria

18,815

46

Guiné Equatorial

18,387

47

 Estónia

18,274

48

 Croácia

17,608

49

 Lituânia

16,997

50

Antígua e Barbuda

16,566

51

 Rússia

15,807

52

Argentina

15,603

53

Botswana

15,449

54

Líbano

15,331

55

 Chile

14,982

56

Líbia

14,878

57

Gabão

14,865

58

 Malásia

14,603

59

Uruguai

14,342

60

 Letónia

14,330

61

 México

14,266

62

Bielorrússia

13,864

63

 Turquia

13,392

64

Maurícia

13,214

65

 São
  Cristóvão e Nevis

12,976

66

 Cazaquistão

12,401

67

 Panamá

12,397

68

 Bulgária

12,052

69

 Venezuela

11,889

70

 Roménia

11,766

71

Brasil

11,289

72

 Irão

11,024

73

Granada

10,881

74

 Sérvia

10,808

75

Costa Rica

10,732

 Mundo

10,725

76

África do Sul

10,505

77

Dominica

10,456

78

 Montenegro

10,432

79

Santa Lúcia

10,227

80

São Vicente
  e Granadinas

10,261

81

 Azerbeijão

9,953

82

 Tunísia

9,488

83

 Colômbia

9,445

84

 Macedónia

9,350

85

 Peru

9,281

86

Suriname

8,955

87

 Jamaica

8,811

88

República
  Dominicana

8,647

89

 Tailândia

8,643

90

Equador

7,951

91

Belize

7,894

92

 Bósnia e
  Herzegovina

7,751

93

 China

7,518

94

El Salvador

7,442

95

 Albânia

7,381

96

Tonga

7,134

97

 Argélia

7,103

98

Namíbia

6,945

99

Guiana

6,893

100

 Ucrânia

6,665

101

 Turquemenistão

6,597

102

Angola

6,412

103

 Egipto

6,367

104

Kiribati

6,181

105

Suazilândia

5,884

106

Samoa

5,731

107

Jordânia

5,658

108

Butão

5,533

109

Maldivas

5,483

110

 Arménia

5,178

111

 Síria

5,108

112

Sri Lanka

5,103

113

 Geórgia

5,057

114

Paraguai

4,915

115

 Guatemala

4,871

116

 Vanuatu

4,807

117

 Marrocos

4,773

118

 Bolívia

4,584

119

República do Congo

4,487

120

Fiji

4,450

121

Honduras

4,404

122

Indonésia

4,380

123

Mongólia

3,727

124

Filipinas

3,725

125

Iraque

3,599

126

Cabo
  Verde

3,562

127

 Índia

3,290

128

Vietname

3,123

129

 Uzbequistão

3,022

130

Ilhas Salomão

2,974

131

Nicarágua

2,969

132

 Moldávia

2,959

133

Paquistão

2,789

134

Timor-Leste

2,663

135

Iémen/Iêmen

2,595

136

Djibouti

2,553

137

Sudão

2,466

138

Laos

2,435

140

Nigéria

2,398

141

Papua-Nova Guiné

2,302

142

Camarões

2,165

143

 Quirguistão

2,162

144

Mauritânia

2,099

145

Camboja

2,086

146

Tadjiquistão

1,907

147

 São Tomé e Príncipe

1,879

148

Senegal

1,814

149

 Quênia

1,784

150

Costa do Marfim

1,686

151

Chade

1,653

152

 Zâmbia

1,625

153

Gana

1,609

154

Bangladesh

1,565

155

Tanzânia

1,497

156

Benim

1,453

157

Burkina Faso

1,341

158

Lesoto

1,266

159

Nepal

1,250

160

Myanmar

1,246

161

Uganda

1,245

162

Mali

1,206

163

Ruanda

1,202

164

Comores

1,176

165

Haiti

1,121

166

Guiné-Bissau

1,082

167

Guiné

1,056

168

 Etiópia

1,018

169

Afeganistão

998

170

 Moçambique

982

171

Madagáscar

910

172

Malawi

908

173

Togo

847

174

Serra Leoa

803

175

República
  Centro-Africana

764

176

Níger

720

177

Eritreia

676

178

Burundi

410

179

Libéria

396

180

 Zimbabwe

395

181

República
  Democrática do Congo

 ???

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Domingo, 19 de Junho de 2011

RICARDO SEVERO - 11

 

 

 

DISCURSO EM 3 DE SETEMBRO DE 1968 NA POSSE DE SÓCIO DO
INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DE SÃO PAULO, PELO

CÔNSUL-GERAL DE PORTUGAL

DR. LUÍS SOARES DE OLIVEIRA

TENDO COMO PATRONO RICARDO SEVERO

 

 

PROFETA DA COMUNIDADE LUSO-BRASILEIRA

 

 

 

Mas Severo foi mais longe na sua compreensão do problema. O conhecimento profundo que tinha da génese lusitana e das expressões modernas do fenómeno, através da sua repetição no trópico africano e americano, permitiu-lhe uma visão segura do futuro inevitável das duas pátrias.

 

 

Repito aqui um trecho de artigo seu publicado em «O Estado de São Paulo» a 5 de Dezembro de 1918 e que, quase meio século depois, nos mostra a sua flagrante actualidade:

«O Oceano Atlântico representará, na época actual, o mesmo papel que o Mediterrâneo no período clássico do Ocidente. Em torno deste grande mar que banha três continentes, se desenvolverão os périplos da nova civilização so século XX. Os países que o marginam, com os seus vastos empórios, formarão uma cadeia cujos elos serão ligados por uma aliança de mútua conveniência, de similar política comercial e económica. Portugal tem na margem europeia um dos mais bem situados empórios, ligado a todos os centros, o Continente; na África Ocidental, os seus portos dominam um vastíssimo “hinterland”. O Brasil ocupa uma grande parte da margem americana do mesmo mar; a sua política de expansão tem de tomar o rumo do Atlântico; poderá fechar essa cadeia que representará a mais fecunda aliança do mundo dando fraternalmente as mãos ao velho Portugal. O porto franco de Lisboa e os mercados das vastas províncias portuguesas, oferecem os termos desse convénio luso-brasileiro que será para os dois países uma solução de mútuo desenvolvimento e progresso dentro do comércio mundial que abraça o grande Oceano».

 

*  *  *

 

A luz que durante 70 anos raiou tão brilhantemente sobre Portugal e sobre o Brasil, um dia extinguiu-se. Continuam entre nós os reflexos vivos das suas obras. Mas o homem, esse, inseriu-se no passado e tornou-se objecto da nossa saudade e do nosso culto. As suas obras e o seu pensamento constituíram-se em património de duas pátrias que se querem entre si como ele quis a ambas.

 

Ricardo Severo morreu como viveu: feliz, sem martírio e nas boas graças do seu belo destino. Símbolo de uma época, morreu com ela quando se desenhavam as primeiras escaramuças do conflito mundial que iria transformar o mundo alterando-lhe os equilíbrios e transformando-lhe a face. Ricardo Severo saberia, contudo, que o povo, esse fundo de rocha ígnea, permaneceria inalterável e insensível às erosões da superfície. E a grei que não se engana, amá-lo-á sempre pois sabe que Ricardo Severo lhe pertencia e que, se subiu tão alto nas escadas da glória, foi porque tudo o que fez foi feito «pola grey».

 

FIM

 

Luís Soares de Oliveira.bmp Luís Soares de Oliveira

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Sábado, 18 de Junho de 2011

RICARDO SEVERO – 10

 

 

 

DISCURSO EM 3 DE SETEMBRO DE 1968 NA POSSE DE SÓCIO DO
INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DE SÃO PAULO, PELO

CÔNSUL-GERAL DE PORTUGAL

DR. LUÍS SOARES DE OLIVEIRA

TENDO COMO PATRONO RICARDO SEVERO

 

 

PATRIARCA DA COLÓNIA

 

 

Esse amor ao povo português levaria o seu querido companheiro, senhor como ele de sólida cultura, o saudoso Professor Marques da Cruz, a atribuir a Severo o título de Patriarca da Colónia. Dizia Marques da Cruz: «embora apegado aos seus ideais, era tolerante e transigente com todos os patrícios, ostentando no seu aprumo de homem recto a fidalguia do seu garbo cavalheiresco atendendo a todos com o seu afecto e o seu conselho, apontando-lhes, como um guia seguro, a trilha fácil da solução de um problema e acorrendo sempre, de alma franca, aos salões de qualquer agremiação para prestigiar a sua actividade ou glorificar uma efeméride notável da História da pátria».

 

Ricardo Severo via na colónia portuguesa do Brasil um corpo de indivíduos irmanados pelo sentimento da saudade: «Não conheço raça que melhor conserve a respeito a tradição nacional. Como eu admiro e venero estes ignorados trovadores da sua terra natal e como me comovemos seus cantares, tanto mais sublimes e encantadores quanto mais humildes», dizia Severo numa reunião de portugueses.

 

Preocupado sempre com o engrandecimento do Brasil, Ricardo Severo entendia que a missão do português aqui não estava terminada. O português devia continuar a colaborar na constituição étnica da nacionalidade brasileira, integrar essa nacionalidade dos elementos tradicionalistas e contribuir pelo seu esforço para a prosperidade do Brasil.

 

Certo de que uma fé que se não desentranhe em frutos é uma fé inútil, Severo procurou materializar o amor dos portugueses a Portugal e ao Brasil em instituições que servissem às altas finalidades que prescrevia nos seus compatriotas. Sob a sua direcção, a colónia fundou em São Paulo a Câmara Portuguesa de Comércio e as Escolas Portuguesas destinadas a ensino gratuito às classes pobres onde o Professor Marques da Cruz viria a fazer uma grande obra pedagógica.

 

O grande sonho de Ricardo Severo consistiu, contudo, na construção em São Paulo de uma «Casa Portuguesa^, «a casa de toda a colónia e dentro da qual ela caiba em torno de uma só lareira»; um só lar que simbolize a Pátria, onde cada um encontre, para a sua saudade e o seu amor, carinhosa e mútua correspondência entre irmãos e na mais afectuosa e pacífica comunidade».

 

 

O seu sonho não pôde ter imediata realização dados os dissídios que sobrevieram na Colónia com o advento do regime Republicano em Portugal. Só mais tarde, resolvidos os conflitos políticos que dividiram os portugueses, foi então possível reunir à volta da ideia de Ricardo Severo o grupo de boas-vindas que permitiram a realização da obra. Ela aí está materializada nesse edifício da Avenida da Liberdade, com uma fachada portuguesa, com as portas grandes para nelas caberem quantos quiserem entrar e o amplo salão capaz  de abrigar as reuniões magnas dos portugueses de São Paulo, em ambiente evocativo da sua Pátria, das suas grandezas e, também, do que nela é humilde e poético.

 

Era esta a genial concepção de Severo em relação à Colónia. Não se tratava de separar portugueses de brasileiros mas tão-somente de permitir ao português mitigar a sua saudade e assim amar melhor o Brasil. Para Ricardo Severo, o «imigrante português não tem aqui um objectivo diferencial; a sua missão é brasileira por natural e forçosa afinidade sem que, por esse facto, deixe de ser essencialmente portuguesa».

 

(continua)

 

 Luís Soares de Oliveira.bmp Luís Soares de Oliveira

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Sexta-feira, 17 de Junho de 2011

UNIFORME DE POETA

 

 Ajustei minha cabeleira longa,

coloquei-lhe ao de  cima meu

chapéu de coco em fibra sintética,

sacudi a densa poeira das asas  encardidas

e, dependurada a lira a tiracolo,

saio para a rua

em grande uniforme de poeta.

Tremei guardas-marinhas,

alferes do activo em

situação de disponibilidade:

meu ridículo hoje suplanta

o vosso e nele se enleia e perturba

o suspiro longo das meninas

romântico-calculistas.

 

 Rui Knopfli

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Quinta-feira, 16 de Junho de 2011

A ÍNDOLE SERTANEJA

 

 

Naqueles tempos a braveza e dureza de corpo e de espírito eram qualidades indispensáveis  ao êxito das empresas dos desbravadores. Muitos chegaram à crueldade. Isto é confirmado nas histórias do
sertão. 

 

Contam os livros que, na ultima e grande bandeira que liderou (1674 a 1681), Fernão Dias Paes Leme enfrentou muitas dificuldades, doenças,  desistências e até uma tentativa de traição encabeçada pelo seu filho mameluco, José Paes Leme. Este achava que o pai devia regressar, pois há anos procurava as esmeraldas pelos sertões, sem nenhum resultado. Dizia que o pai devia estar louco para tanta
insistência.

 

Fernão Dias de Paes Leme

(São Paulo, c. 1608 – sertão do Espírito Santo; provavelmente Quinta do Sumidouro, em 1681)

 

Uma noite, no acampamento, uma das índias da expedição, agregada à bandeira de Fernão, ouviu o plano de José Paes Leme e dos rebeldes para afastá-lo de vez da direcção do grupo. Fiel ao velho bandeirante, delatou o filho dele. Não houve dúvidas, para manter o controle, como dono da vida e da morte de seus comandados, o sertanista  julgou e condenou os traidores. Porém, para demonstração de força e frieza, perdoou todo menos o filho que fez enforcar para exemplo.

 

Para mais uma ilustração da índole rude dessa gente do sertão, vou contar um caso recente (há mais ou menos 50 anos) do antigo dono
da  fazenda que meu marido herdou,  junto às terras de Goiás. Famoso pela sua valentia, bruto nas abordagens, o  Coronel  C.V, suspeitou que estava sendo traído pela mulher. Inventou uma viagem e foi-se embora. No dia seguinte reapareceu sorrateiramente na fazenda e flagrou a esposa com um dos agregados, em plenas demonstrações de amor, debaixo de uma jabuticabeira carregada de frutos.  Truculento, rendeu os amantes,  gritou para seus empregados que, temerosos, amarraram os dois.  Para horror da assistência,  com uma facção, C.V. "capou" o pobre coitado que urrava de dor, todo ensanguentado. Não se conhece o destino do "capado", mas da mulher se sabe que continuou em casa, fazendo os trabalhos domésticos, após ser obrigada pelo marido a comer os testículos do amante na frente de todos. Naquele ano ninguém comeu as doces jabuticabas.

 

Mª Eduarda Fagundes 2010.jpg Maria Eduarda Fagundes

Uberaba, 21/05/11

 

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Quarta-feira, 15 de Junho de 2011

SERÁ NORMAL QUE...

... NEM OS JORNAIS CULTURAIS/LITERÁRIOS QUEIRAM FALAR
DISTO? COMO SE PODEM RECLAMAR "DA LUSOFONIA"?

 Castelo de Olivença, mandado erigir pelo Rei D. Dinis



LUSOFONIAS EM OLIVENÇA (DOIS DIAS: 28 e 29 de Maio de 2011) - Curiosamente, nenhum jornal ou revista parece querer falar disto!


Decorreu no fim de semana de 28 e 29 de Maio promovida pela Associação local "Além Guadiana", mais uma edição de "Lusofonias" em Olivença (a 2.ª Edição). Desta vez, e ao contrário de que sucedeu na edição anterior (um só dia), o evento durou dois dias.

É difícil descrever o que representa, histórica e culturalmente, este "festival" de cultura portuguesa e lusófona para, e em primeiro lugar, Olivença, para Portugal, e para o espaço lusófono. Trata-se do renascer de toda uma Cultura (a portuguesa) num lugar onde, desde 1801, a mesma deixou de ser "oficial", e onde, durante cerca de duzentos anos, muito se fez para a aniquilar. São habitantes locais, oliventinos genuínos, que, sem entrarem em considerações politicas e considerações sobre litígios de soberania, reivindicam a sua cultura tradicional e a sua pertença ao espaço lusófono. É um tanto confrangedor, para não usar expressões mais críticas que não se dê maior destaque ao que ali ocorre em consequência disso.

No dia 28 de Maio, Sábado, após uma alocução das autoridades locais (com a presença de todas as forças políticas oliventinas) numa curta cerimónia de abertura, as "Lusofonias" foram oficialmente abertas ao público. Pavilhões de instituições portuguesas e de comércio e artesanato (com destaque para a doçaria), que se estendiam por duas secções da antiga Carreira, numa amostra muito significativa da cultura portuguesa. O grupo Gigabombos, de Évora, desfilou no local e, depois, por toda a cidade.

Seguiu-se uma leitura pública, essencialmente por oliventinos, de textos em Português. Documentários e teatro, música, corais alentejanos, bem como actuações de escolas locais (sempre ne língua de Camões), seguiram-se pela noite fora. Note-se que estavam presentes elementos culturais de vários países lusófonos, e não só de Portugal.

Uma exposição fotográfica, aliás apresentada com destaque, mereceu muita atenção, intitulada "O meu olhar sobre a Olivença Portuguesa", do oliventino Jesus Valério. Muita gente a elogiou.

À noite, houve um espectáculo público, um concerto do cantautor espanhol (e extremenho) Luís Pastor, "padrinho" do evento, que teve o cuidado de quase só usar a língua portuguesa, cantando temas portugueses, e recordando grandes cantautores portugueses (a começar por Zeca Afonso).

No dia 29 de Maio, Domingo, reabriu o espaço dos pavilhões, e actuou o Rancho folclórico de Macieira da Lixa (Porto). Seguiram-se canções e dramatizações, uma vez mais em Português e a "cargo" de alunos de escolas locais, e ainda mais música por um grupo português. Só por volta das 24.00 se deu por encerrado o evento, um sucesso que levará, decerto, a Associação oliventina "Além Guadiana" a continuar a esforçar-se por devolver a Olivença a sua cultura e língua tradicionais, com iniciativas como esta ou outras similares, para além de um trabalho contínuo e diário nesse mesmo sentido.

A dita Associação renova o apelo para que, em Portugal, e sem preconceitos, haja uma maior divulgação das suas actividades, bem como apoios, basicamente culturais, já que os seus objectivos são deste teor, e não outros. Nem sempre parece estar a haver uma clara compreensão destes aspectos, o que muito se lamenta.

Estremoz, 30 de Maio de 2011

 

Carlos Luna Carlos Luna

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Terça-feira, 14 de Junho de 2011

FRASE DO DIA

 

Não agimos correctamente porque temos a virtude da excelência

mas podemos possui-la se agirmos correctamente

 

Frase atribuida a Aristóteles

publicado por elosclubedelisboa às 18:37
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Segunda-feira, 13 de Junho de 2011

RICARDO SEVERO – 9

 

 

 

DISCURSO EM 3 DE SETEMBRO DE 1968 NA POSSE DE SÓCIO DO
INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DE SÃO PAULO, PELO CÔNSUL-GERAL DE PORTUGAL

DR. LUÍS SOARES DE OLIVEIRA

TENDO COMO PATRONO RICARDO SEVERO

 

 

 

Mas não era só o edifício que os preocupava. O desenho da cidade deveria ser adequado de forma a proporcionar não só harmonia do conjunto mas também o melhor clima para a habitação do homem. Defendiam que a largura das ruas e avenidas deveria ser proporcional à altura dos prédios.

 

Estes estudos tiveram consequência em muitos dos edifícios que ainda hoje embelezam e dignificam São Paulo: o Teatro Municipal, jóia de harmonia e imaginação; o elegante edifício da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, tão enraizado na tradição e estima dos paulistas; a Penitenciária do Estado, com os seus pavilhões funcionalmente distribuídos; a Faculdade de Medicina, concebida
segundo princípios pedagogicamente adiantados; o Paço Municipal, hoje Secretaria da Justiça, nobre edificação que tanta dignidade empresta ao terreiro que foi berço de São Paulo, etc.

 

Teatro Municipal de São Paulo

 

O neo-barroco da época exerceu influência no estilo de Severo e Azevedo, sobretudo durante o período em que estiveram associados com Domiziano Rossi, mas nunca, de forma tão marcada como no Pavilhão de São Paulo na Exposição Nacional de 1908, estrutura caprichosa e opulenta, com cúpulas e mastaréus, arcos e colunas, arquivoltas, espirais e volutas, decorada por génios alados, efebos e musas, cornucópias, festões e grinaldas e que, apesar de tudo isto, maravilhou os estetas da época.

 

Mas Severo logo procura libertar-se destas influências para aderir à sua via favorita. É ele que nos diz:

«Procurei lançar a orientação tradicionalista na arquitectura brasileira. Era o mesmo princípio que dominou a campanha nas artes, nas ciências e na política iniciada no meu país pela geração que procurei englobar em torno de “Portugália”.

Uma vez aqui, em terras brasileiras, continuei a ser afirmativamente tradicionalista. Tradicionalismo não quer dizer anacronismo, passadismo, ou mesmo necronihismo. Quer dizer simplesmente o ressurgimento da tradição, que é no íntimo de cada família humana o espírito da sua génese, a sua essência vital, a alma das nacionalidades. No Brasil são naturais todas as hesitações; ainda ao sair do primeiro século da sua independência política, encontra-se cercado de influências estrangeiras poderosas e atraentes, levadas por surtos de sedutoras inspirações numa época de tumultuosas transformações no próprio mundo da arte. Entretanto, apartando-se do tradicionalismo estrangeiro e rebuscando a tradição caseira, o Brasil encontrará de certo as suas formas nacionais».

 

Novamente volta Ricardo Severo ao assunto nas colunas do «Estado de São Paulo» (1-4-1917), em defesa do tradicionalismo na arte brasileira. O movimento causa espanto, provoca controvérsia e como tinha acontecido na sua primeira polémica, ganha prosélitos. A «Cigarra» relatava nesse ano, com estranheza, o interesse de alguns paulistas ilustres – Dr. Washington Luís, entre eles – que partiam
para o interior do Estado à procura de «casas velhas» para estudarem o seu plano, o aparelho e a contextura dos materiais. Severo adverte os mais zelosos dos seus discípulos e previne-os contra críticos maliciosas:

«Arquitectura tradicional não quer dizer reprodução literal de fósseis arqueológicos de casas de taipas ou de pau a pique, de igrejinhas de adobo ou de sorumbáticos sobrados dos centros urbanos dantanho, sem higiene e sem aparência estética. Arte tradicional é a estilização de formas artísticas anteriores que integram o meio local, o carácter moral de um povo e o cunho da sua civilização»

 

São Paulo, em muitos aspectos, parece esconder a influência de Severo. Mesmo os exemplos modernos dos modelos que Ricardo Severo preconizou, evoluíram para um estilo mais ático, o que é compreensível. No entanto, no interior, a estrutura da casa respeita o seu objectivo: é feita para proporcionar um viver feliz. Nenhum exemplo será mais elucidativo em tal matéria do que o de sua própria casa, ainda hoje felizmente conservada. Sente-se por toda a parte, naquela estrutura, a predisposição para o amorável, para a fácil comunhão entre vida interior e ao ar livre. É uma casa cheia de intimidade convidativa. Conjugada com o arvoredo que a circunda, esconde-se para despontar apenas aqui e além numa sugestão de beleza. Multiplicam-se os alpendres e os pátios sombreados decorados com plantas e flores. Nas suas balaustradas e paredes, alisares de azulejo invocam os motivos sagrados e profanos do culto português. No interior, o átrio nobre com belos exemplares da arte Joanina onde sobressai um elegante balcão de talha dourada; a casa de jantar grande para que nela tenham lugar todos os que batam à porta e, enfim, o seu escritório, reflexo da personalidade de Ricardo Severo. Peça espaçosa, iluminada por amplas janelas, resguardadas do Sol por um beiral saliente, forrada de estante carregada com os tesouros da sua erudição, teto em caixões pintados a óleo e têmpera, mobília de austero conforto e, final e imprescindivelmente, decorado por um friso a azulejo reproduzindo cenas da vida do povo português no seu trabalho, nos seus cultos e nos seus folguedos. Ricardo Severo reuniu aí tudo o que amava: a sua família em retratos, o Brasil nas plantas que decoravam as janelas, os tesouros do seu saber, os objectos de arte mais gratos são seu gosto e o povo português objecto da sua saudade.

 

(continua)

 

Luís Soares de Oliveira.bmp Luís Soares de Oliveira

 

publicado por elosclubedelisboa às 09:03
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Domingo, 12 de Junho de 2011

O AMOR EM PORTUGAL

 

...............................................................................................

Cardeal Gonzaga, como quem acorda, os olhos cheios de brilho, a expressão transfigurada

 

Em como é diferente o amor em Portugal!

Nem a frase subtil, nem o duelo sangrento...

É o amor coração, é o amor sentimento.

Uma lágrima... Um beijo... Uns sinos a tocar...

Um parzinho que ajoelha e que vai se casar.

Tão simples tudo! Amor, que de rosas se enflora:

Em sendo triste canta, em sendo alegre chora!

O amor simplicidade, o amor delicadeza...

Ai, como sabe amar, a gente portuguesa!

Tecer de Sol um beijo, e, desde tenra idade,

Ir nesse beijo unido o amor com amizade,

Numa ternura casta e numa estima sã,

Sem saber distinguir entre a noiva e a irmã...

Fazer vibrar o amor em cordas misteriosas,

Como se todo o amor fosse um amor somente...

Ai como é diferente!

Ai como é diferente!

............................................................................................................................................

A ceia dos Cardeais


 
Júlio Dantas (1876/1962)

Fonte: Wikipédia (enciclopédia livre)

 

Será que os portugueses ainda amam assim,

Com o coração, tão pura, tão docemente...?

-Talvez aqueles que ainda guardam no sangue a cepa lusa

E na memória a maneira de ser português.

- Alguns..., talvez!

 

  Maria Eduarda Fagundes

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publicado por elosclubedelisboa às 09:00
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