Sexta-feira, 8 de Abril de 2011

SER MULHER

 (*)

Ah, ser mulher!

Ser mulher é ver o mundo com doçura,
É admirar a beleza da vida com romantismo.
É desejar o indesejável.
É buscar o impossível.

O poder de uma mulher está em seu instinto
Porque a mulher tem o dom de ter um filho,
E cuidar de vários outros filhos que não são seus.

Ah, as mulheres!
Ainda que sensíveis
Mulheres conseguem ser extremamente fortes
Mesmo quando todos pensam que não há mais forças.

Mulheres cuidam de feridas e feridos
E sabem que um beijo e um abraço
Podem salvar uma vida,
Ou curar um coração partido.

Mulheres são vaidosas,
Mas não deixam que suas vaidades
Suplantem seus ideais.

Muitas mulheres mudaram o rumo
E a história da humanidade
Transformando o mundo
Em um lugar melhor.

A mulher tem a graça de tornar a vida alegre e colorida,
E ela pode fazer tudo isto quantas vezes quiser
Ser mulher é gostar de ser mulher
E ser indiscutivelmente feliz
E orgulhosa por isso.

Brunna Paese

Curitiba

 

(*)http://ivanirfaria.wordpress.com/2011/02/14/poesia-inedita-brunna-paese/

 

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Quinta-feira, 7 de Abril de 2011

MEDITANDO

 

Na ausência de justiça, o que é a soberania senão o roubo organizado?

 

Santo Agostinho

 

 

Agostinho nasceu na cidade de Tagaste, província de Souk Ahras, na época uma província romana no norte de África, na actual Argélia, filho de pai pagão, chamado Patrício e mãe católica, Mónica. Foi educado no norte de África e resistiu aos ensinamentos de sua mãe para se tornar cristão.

 

Agostinho era de ascendência berbere. Com onze anos de idade, foi enviado para a escola em Madaura, uma pequena cidade da Numídia. Lá se tornou familiarizado com a literatura latina, bem como práticas e crenças do paganismo. De 369 a 370 permaneceu em casa.

 

Durante esse período leu o diálogo Hortensius de Cícero (hoje perdido), que lhe deixou uma impressão duradoura sobre e lhe despertou o interesse pela filosofia assim passando a ser um seguidor do maniqueísmo.

 

Com dezessete anos, graças à generosidade de um concidadão, chamado Romaniano, o pai de Agostinho enviou-o para Cartago para continuar a educação na retórica. Vivendo como um pagão intelectual, tomou uma concubina; nessa tenra idade, desenvolveu uma relação estável com uma mulher jovem em Cartago, da qual teve um filho, Adeodato.

 

Durante os anos 373 e 374, Agostinho ensinou gramática em Tagaste. No ano seguinte, mudou-se para Cartago a fim de ocupar o cargo de professor da cadeira municipal de retórica e permaneceu lá durante os nove anos seguintes.

 

Desiludido pelo comportamento indisciplinado dos alunos, em 383 mudou-se para estabelecer uma escola em Roma, onde acreditava que os melhores e mais brilhantes retóricos ensinavam. No entanto, Agostinho ficou desapontado com as escolas romanas, que encontrou apáticas. Quando chegou o momento dos seus alunos pagarem os honorários, simplesmente fugiram.

 

Amigos maniqueístas apresentaram-lhe o prefeito da cidade de Roma, Symmachus, que tinha sido solicitado a fornecer um professor de retórica imperial para o tribunal provincial em Milão. Agostinho ganhou o emprego e ocupou o cargo no final de 384.

 

Para saber mais, consultar Wikipédia em http://pt.wikipedia.org/wiki/Agostinho_de_Hipona

 

 

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Quarta-feira, 6 de Abril de 2011

AS PRIMEIRAS MANIFESTAÇÕES LITERÁRIAS BRASILEIRAS

 

 

Descrição do Rio de Janeiro no século XVI (Fernão Cardim)

 

O jesuíta Padre António Vieira

Autor desconhecido

Fonte: Enciclopédia Delta Universal

 

A cidade está situada em um monte de boa vista para o mar, e dentro da barra tem uma baía que parece que a pintou o “supremo pintor e arquitecto do mundo,” Deus Nosso Senhor, e assim é coisa formosíssima e a mais aprazível que há em todo o Brasil, nem chega à vista do Mondego e Tejo. É tão capaz que terá vinte léguas em roda, cheia pelo meio de muitas ilhas frescas de grandes arvoredos, e não impendem a umas as outras, que é o que lhe dá graça; tem a barra meia légua da cidade, e no meio dela uma lájea de sessenta braças de comprimento, e bem larga que a divide pelo meio, e por ambas as partes tem caudal bastante para naus da Índia. Nesta lájea manda El Rei fazer fortaleza e ficará coisa inexpugnável, nem se lhe poderá esconder um barco. A cidade tem cento e cinquanta vizinhos com seu vigário, e muita escravaria da terra.”

 

Narrativa Epistolar de uma viagem

 

Fernão Cardim nasceu em ano incerto, na década de 1540 em Viana do Alentejo (Portugal), e morreu em 1625, na Aldeia de Abrantes, Bahia (Brasil). Foi um jesuíta português que em 1566 ingressou na Ordem fundada por Inácio de Loyola e que em 1583 veio para o Brasil com o governador Manuel Teles Barreto e com o visitador Cristóvão de Gouveia. Depois de percorrer as capitanias da Bahia, Ilhéus, Porto Seguro, Pernambuco, Espírito Santo, Rio de Janeiro, e São Vicente (São Paulo), escreveu cartas e textos importantes para a Companhia de Jesus sobre as terras do novo mundo. Suas anotações seriam posteriormente fonte de pesquisa histórica e etnográfica para colonos, missionários e estudiosos dos primeiros tempos do Brasil Colónia.

 

Fernão Cardim foi reitor do Colégio dos Jesuítas na Bahia e do Colégio de São Sebastião, em 1596, no Rio de Janeiro.

 

Em Roma é eleito Provincial do Brasil. Na viagem de volta ao país, em 1601, o barco aonde vinha é tomado pelo corsário inglês Francis Cook. Aprisionado, é levado para Londres e seus manuscritos sobre as terras, as plantas, o clima, e os índios do Brasil são confiscados. Após ser resgatado pela Companhia de Jesus, volta pela segunda vez ao Brasil e assume finalmente em 1604 o cargo de provincial. Vinte e quatro anos depois, em 1625, ano da sua morte, parte do seu trabalho (Do clima, e da terra do Brasil. Do principio e da origem dos índios do Brasil) é editado em Londres pela primeira vez, na língua inglesa, dando como autor Manuel Tristão, português que viveu muito tempo no país. Porém, no final do século XIX, o historiador brasileiro Capistrano de Abreu identificou o verdadeiro autor.

 

Após publicações em Portugal e Brasil no século XIX, Rodolfo Garcia reuniu e editou em 1925 todos os textos conhecidos da obra de Fernão Cardim sob o título Tratado da Terra e gente do Brasil.

 

No Brasil, os trabalhos escritos pelos jesuítas dos séculos XVI e XVII são na maioria das vezes descritivos, informativos, voltados principalmente para a educação e catequese dos colonos e indígenas, são as primeiras manifestações literárias brasileiras.

 

  Maria Eduarda Fagundes

Uberaba, 22/02/11

 

Fontes:

Enciclopédia Delta Universal

António Salles Campos (Português Colegial)

Wikipédia

 

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Terça-feira, 5 de Abril de 2011

PIB PER CAPITA DOS 182 PAISES MEMBROS DO FMI

 

Fonte: Fundo Monetário Internacional (FMI)

 

Base: Ano de 2010

 

 

Rank

Country

US$

1

 Qatar

88,232

2

 Luxemburgo

80,304

3

 Singapura

57,238

4

 Noruega

52,238

5

 Brunei

47,200

6

 Estados Unidos

47,123

 Hong Kong

45,277

7

Suíça

41,765

8

 Países Baixos

40,777

9

 Austrália

39,692

10

 Áustria

39,454

11

 Canadá

39,033

12

 Irlanda

38,685

13

Kuwait

38,293

14

 Suécia

37,775

15

Emirados Árabes Unidos

36,973

16

 Dinamarca

36,764

17

 Islândia

36,681

18

 Bélgica

36,274

19

 Alemanha

35,930

20

 Reino Unido

35,053

21

Taiwan

34,743

22

 Finlândia

34,401

23

 França

34,092

24

 Japão

33,828

25

 Coreia do Sul

29,791

26

 Espanha

29,651

27

 Itália

29,418

28

 Israel

29,404

29

 Grécia

28,833

30

 Chipre

28,045

31

 Eslovênia

27,899

32

 Nova Zelândia

27,460

33

Bahrein

26,807

34

Omã

26,197

35

Bahamas

25,884

36

 República Checa

24,987

37

Seychelles

24,837

38

 Malta

24,081

39

Arábia Saudita

23,742

40

 Portugal

23,113

41

Barbados

22,296

42

 Eslováquia

22,267

43

Trinidad e Tobago

20,137

44

 Polónia

18,837

45

 Hungria

18,815

46

Guiné Equatorial

18,387

47

 Estónia

18,274

48

 Croácia

17,608

49

 Lituânia

16,997

50

Antígua e Barbuda

16,566

51

 Rússia

15,807

52

Argentina

15,603

53

Botswana

15,449

54

Líbano

15,331

55

 Chile

14,982

56

Líbia

14,878

57

Gabão

14,865

58

 Malásia

14,603

59

Uruguai

14,342

60

 Letônia

14,330

61

 México

14,266

62

Bielorrússia

13,864

63

 Turquia

13,392

64

Maurícia

13,214

65

 São Cristóvão e Nevis

12,976

66

 Cazaquistão

12,401

67

 Panamá

12,397

68

 Bulgária

12,052

69

 Venezuela

11,889

70

 Roménia

11,766

71

Brasil

11,289

72

 Irão

11,024

73

Granada

10,881

74

 Sérvia

10,808

75

Costa Rica

10,732

 Mundo

10,725

76

África do Sul

10,505

77

Dominica

10,456

78

 Montenegro

10,432

79

Santa Lúcia

10,227

80

São Vicente e Granadinas

10,261

81

 Azerbaijão

9,953

82

 Tunísia

9,488

83

 Colômbia

9,445

84

 Macedónia

9,350

85

 Peru

9,281

86

Suriname

8,955

87

 Jamaica

8,811

88

República Dominicana

8,647

89

 Tailândia

8,643

90

Equador

7,951

91

Belize

7,894

92

 Bósnia e Herzegovina

7,751

93

 China

7,518

94

El Salvador

7,442

95

 Albânia

7,381

96

Tonga

7,134

97

 Argélia

7,103

98

Namíbia

6,945

99

Guiana

6,893

100

 Ucrânia

6,665

101

 Turquemenistão

6,597

102

Angola

6,412

103

 Egipto

6,367

104

Kiribati

6,181

105

Suazilândia

5,884

106

Samoa

5,731

107

Jordânia

5,658

108

Butão

5,533

109

Maldivas

5,483

110

 Arménia

5,178

111

 Síria

5,108

112

Sri Lanka

5,103

113

 Geórgia

5,057

114

Paraguai

4,915

115

 Guatemala

4,871

116

 Vanuatu

4,807

117

 Marrocos

4,773

118

 Bolívia

4,584

119

República do Congo

4,487

120

Fiji

4,450

121

Honduras

4,404

122

Indonésia

4,380

123

Mongólia

3,727

124

Filipinas

3,725

125

Iraque

3,599

126

Cabo Verde

3,562

127

 Índia

3,290

128

Vietname

3,123

129

 Uzbequistão

3,022

130

Ilhas Salomão

2,974

131

Nicarágua

2,969

132

 Moldávia

2,959

133

Paquistão

2,789

134

Timor-Leste

2,663

135

Iémen/Iêmen

2,595

136

Djibouti

2,553

137

Sudão

2,466

138

Laos

2,435

140

Nigéria

2,398

141

Papua-Nova Guiné

2,302

142

Camarões

2,165

143

 Quirguistão

2,162

144

Mauritânia

2,099

145

Camboja

2,086

146

Guiné-Bissau

1,972

147

Tadjiquistão

1,907

148

 São Tomé e Príncipe

1,879

149

Senegal

1,814

150

 Quênia

1,784

151

Costa do Marfim

1,686

152

Chade

1,653

153

 Zâmbia

1,625

154

Gana

1,609

155

Bangladesh

1,565

156

Tanzânia

1,497

157

Benim

1,453

158

Burkina Faso

1,341

159

Lesoto

1,266

160

Nepal

1,250

161

Myanmar

1,246

162

Uganda

1,245

163

Mali

1,206

164

Ruanda

1,202

165

Comores

1,176

166

Haiti

1,121

167

Guiné-Bissau

1,082

168

Guiné

1,056

169

 Etiópia

1,018

170

Afeganistão

998

171

 Moçambique

982

172

Madagáscar

910

173

Malawi

908

174

Togo

847

175

Serra Leoa

803

176

República Centro-Africana

764

177

Níger

720

178

Eritreia

676

179

Burundi

410

180

Libéria

396

181

 Zimbabwe

395

182

República Democrática do Congo

 ???

 

 

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Segunda-feira, 4 de Abril de 2011

RECEITA PARA UM ENVELHECIMENTO TRANQUILO

 

 

- Os prédios estão cheios de gente velha! Isto é um bairro de gente velha!

 

Via-se que era com desgosto que a minha amiga falava, sentada na esplanada, diante do seu garoto pouco claro. Eu é mais a bica calmante dos bocejos escancarantes da manhã, cujo primeiro gole detém instantaneamente bocejos e lágrimas do cansaço diário, diz-se que graças à cafeína milagreira. Mas ela continuou, atirando a cabeça em jeito dramático, abarcando os prédios e a senhora idosa que passava no largo de braço ao peito:

 

- Os das vivendas escapam. Mas é uma coisa horrível Ih! Pá! Ai!

 

Fiquei deprimida. De facto, o tempo passa que é um ver se te avias. E não nos podemos esquecer de ser cuidadosos a andar, que a calçada leva-nos facilmente ao malhanço, já o tenho dito, sem que isso tenha relevância, que sou conservadores nos buracos. Mas que há muitos velhos, há, los hay. E buracos, claro. Também.

 

Não quero deixar-me abater e retomo as notícias do meu país, mais de acordo com o nosso intelecto.

 

-O Cavaco interrompeu as férias e foi visitar o Ascensão Amboim, por via das presidenciais, começou ontem a candidatura… Não conhece o Ascensão Amboim? Não me diga, que eu caio já aqui para o lado. Tem um refúgio para crianças abandonadas, veja na Internet…

 

É muito crítica a minha amiga, com a falta de actualização nos conhecimentos. Pelo menos nos meus. Há dias foi a respeito do Casino do Estoril, que fez um estardalhaço idêntico, por eu ainda não ter ido ver as remodelações, presa que vou estando aos espaços das minhas limitações, que ela atribui mais à ausência de curiosidade. Por isso lhe mostrei a troca de correspondência internética, com o meu amigo Salles da Fonseca, prova de que, tal como o Hamlet, também eu acho que “há mais coisas entre o céu e a Terra, Horácio, do que sonha a nossa vã filosofia”. Foi a respeito de um poema da Glória de Santana que ele publicou no blog Elos Clube de Tavira, a que preside:

 

Se me quiseres conhecer

 

Se me quiseres conhecer,  

Estuda com olhos de bem ver

Esse pedaço de pau preto

Que um desconhecido irmão maconde

De mãos inspiradas

Talhou e trabalhou em terras distantes lá do norte.

 

Ah! Essa sou eu: órbitas vazias

No desespero de possuir a vida

Boca rasgada em ferida de angustia,

Mãos enormes, espalmadas,

Erguendo-se em jeito de quem implora e ameaça,

Corpo tatuado feridas visíveis e invisíveis

Pelos duros chicotes da escravatura…

Torturada e magnífica altiva e mística,

África da cabeça aos pés,

– Ah, essa sou eu! Se quiseres compreender-me

Vem debruçar-te sobre a minha alma de África,

Nos gemidos dos negros no cais

Nos batuques frenéticos do muchopes

Na rebeldia dos machanganas

Na estranha melodia se evolando

Duma canção nativa noite dentro

E nada mais me perguntes,

Se é que me queres conhecer…

Que não sou mais que um búzio de carne

Onde a revolta de África congelou

Seu grito inchado de esperança.

 

 Noémia de Souza / Moçambique 1958

 

Não resisti a comentar, no blog Elos Clube de Tavira:


Como todas estas sensibilidades parecem agora distantes, todas em redor das mesmas plangências, dos mesmos motivos de dor, de um patrioteirismo fértil em insinuações e imagens sentidas contra o opressor explorador! Será que eram absolutamente sinceras? O certo é que rendem mais fama e proventos!


 

O Dr. Salles  aproveitou a deixa para esclarecer, com bonomia aristocrática em comentário demonstrativo das verdades contidas no meu prosaico comentário:

 

Noémia de Souza nasceu na Catembe (para quem não conheça Lourenço Marques/Maputo, é assim como Cacilhas relativamente a Lisboa e Niterói relativamente ao Rio de Janeiro), e divagou pelo Brasil, França, etc. Mas quando chegou a hora da verdade, aconchegou-se em Portugal e morreu em Cascais.
Eles falam, falam, falam... mas afinal é a nós que voluntariamente entregam as almas.
Fazem assim muito bem e nós gostamos que assim seja!
Hoje, passados quase 40 anos das Independências, já perceberam que nós estávamos lá para viver deixando viver, o que não terá sido exactamente o que fez quem nos sucedeu no Poder.
Creio - apesar das alfinetadas desta literatura histórica - que a expressão africana lusófona não pode deixar de ser divulgada pois é inequívoca parte da Cultura Lusíada e o Elos propõe-se congregar não só os lusófonos passados e actuais mas também aqueles que já não falam português e que hão-de voltar a fazê-lo. Divulgar a obra dos que viveram em português, é um modo de nos aproximarmos.
Continuemos...

 

Enviei segundo comentário:


"Pois assim se fazem as cousas". Era o "refrão" aposto por "Pero Marques" à proposta da "Inês Pereira", às cavalitas do marido e dizendo: "Marido, cuco me levades! E mais duas lousas!" Nós somos os cucos. Prestáveis.

 

Concordou a minha amiga com os dizeres, na ponderação de uma sensatez sem ilusões, tal como a nossa, pois que o Dr. Salles ainda as tem. Por ser mais jovem. E assim me reabilitei a respeito da curiosidade ou da falta dela: Há  mais coisas, há outras…

Mas em casa encontrei, em letras garrafais, na primeira página do caderno “Economia”, do Expresso, o seguinte título  seguido da notícia sobre a construtora Leirislena:

 

“Estado investiu E936 mil em empresa que faliu dois meses depois”

 

Telefonei à minha amiga. E concordámos que as férias, embora quentes das chamas, tinham acabado. Regressáramos ao antes delas, estávamos no nosso elemento. Melhor seria deitarmos tudo para trás das costas.

 

Não, não há mais coisas entre o céu e a Terra, Horácio, por muito vã que seja a nossa filosofia.

 

Pelo menos por cá.

 

Deitemos para trás das costas…

 

 Berta Brás

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Domingo, 3 de Abril de 2011

AJUDAR D. SEBASTIÃO

 

O ano de 2010 terminou com algo inesperado, mas intimamente desejado: a redescoberta e aquisição do elmo de batalha de D. Sebastião!

O ano de 2011 começou com o regresso do elmo, motivo de alegria e reflexão.

 

 O elmo de D. Sebastião regressado a Portugal

 

Não há outro monarca luso que tão vasto leque de opiniões suscite. Para uns é mental ou fisicamente defeituoso, a ponto de acharem preferível que tivesse morrido à nascença. Para outros, é um Anjo Salvador, que regressará algum dia.

 

Penso ter chegado a altura do povo separar o trigo do joio e colocar os pontos nos is, para se saber, com maior grau de certeza, quem foi D. Sebastião e por que razão fez o que fez.

 

Os últimos tempos ofereceram diversos sinais que, de certa forma, nos chamam a rever tudo o que se disse, escreveu ou alegou, acerca desta figura mítica e lendária, atacada e amada, que tão profundamente se encontra ancorada na alma do Mundo Português.

 

Tudo começou quando, contra a vontade de muitos, um Papa Alemão canonizou um Marechal General, herói nacional, que não morreu de martírio. Trata-se do nosso Condestável, D. Nuno Álvares Pereira (1360-1431). Em Portugal, desde o século XV que é tratado como nosso Santo Condestável. Sob o ponto de vista da Igreja, nem monge foi. A sua recente canonização foi de tal modo contestada a nível internacional, que chegou a ser negado mesmo o mais humilde reconhecimento pelo órgão do Estado a quem isso competia. Quem sistematicamente procura denegrir os Chefes da Igreja Católica, reencontrou logo no passado da juventude do Papa (o cumprimento do serviço militar e a ascendência de D. Nuno Álvares Pereira, pelo lado materno, ligado à Casa Real Germânica, na Lombardia), razão obscura desta canonização. O Papa, porém, não deixou nada obscuro. Não apenas canonizou o Herói Nacional Luso, como até deu, por pergaminho, a bênção papal a todos os infantes de Portugal, algo que desde que D. Afonso V assumiu a cruzada contra o Islão não acontecera.

Esta bênção papal esteve exposta na sala elíptica (a sala de honra), na Escola Prática de Infantaria, no Palácio de Mafra. Foi belo verificar que, na homenagem que a EPI prestou ao Santo Condestável (seu patrono), tanto as entidades museológicas como as eclesiásticas trabalharam em conjunto com as militares, para prestar a homenagem devida. Na sala de honra estavam em grande destaque, não apenas as relíquias do Santo, manuscritos por ele assinados, que a Torre do Tombo tinha cedido, belos quadros de D. Nuno do Museu Nacional de Arte Antiga, como a grande estátua do Condestável a pé, segurando o seu famoso martelo de armas (chamado Bico de Corvo). Estátua idêntica encontra-se na Sala de Aljubarrota do Museu Militar de Lisboa e as suas representações repetem-se em grande parte da iconografia que existe do Santo Condestável, desde o século XVI.

 

Pode e deve-se perguntar: o que tem isso a ver com D. Sebastião?

 

Inaugurou-se recentemente, num Museu de Zurique, uma exposição sobre marfins do Ceilão, onde figura um quadro representando D. Sebastião aos oito anos de idade. Este esteve erradamente classificado, num palácio austríaco, sendo por isso desconhecido, desde o século XVI. Ao fim e ao cabo trata-se de um Neto Rei do Imperador Carlos V, do Sacro Império Romano de Nação Germânica.

Os Soberanos costumam ser representados com os seus atributos régios, isto é, a coroa, o ceptro e a espada da justiça. Por vezes, apenas são representados com um simples bastão de comando.

 

 (será este o quadro a que o Autor se refere?)

 

O nosso monarca deixou-se representar em armadura (uma de Augsburgo, entretanto desaparecida), segurando na mão o martelo “bico de corvo” de D. Nuno Álvares Pereira. Como é possível que um monarca se deixe representar com uma arma de comando de infantaria, quando a arma nobre da altura era a da cavalaria? Como é que o nosso monarca escolheu o símbolo de um Herói Nacional falecido há muito, que liderou o povo, o peão, no combate contra a cavalaria castelhana e francesa, tornando-se Herói e Santo Salvador da Pátria? Terá sido por influência patriótica do seu professor, Damião de Góis?

 

Como se pode permitir que se represente um jovem Rei, em 1562, com uma arma de 1385? Isto seria o equivalente a colocar uma arma das invasões napoleónicas nas mãos de um comandante supremo actual! Algo descabido, que dá que pensar!

 

Sabemos que D. Sebastião mandou abrir os túmulos dos seus antepassados e daí retirou as suas espadas para estas lhe servirem de talismã na sua campanha africana. Até levou o elmo de Carlos V com que tomou Tunes.

 

Será que D. Sebastião também mandou abrir o túmulo do Santo Condestável, no Convento do Carmo, em Lisboa e lhe tenha pedido de empréstimo o seu Martelo de Armas?

 

Imenso do que diz respeito a D. Sebastião ainda hoje se encontra envolvido em secretismos.

 

O aparecimento do quadro de D. Sebastião com o Martelo de Armas do Santo Condestável e do Elmo de Batalha, são como badaladas de um sino da História, que nos acordam para o cumprimento de um dever: descobrir as verdades acerca D. Sebastião!

 

Para isso, devemos reunir tudo, mas mesmo tudo, que nos possa oferecer luz.

 

A grande maioria das obras dos nossos cronistas e historiadores peca por terem tido donos. Estes não se preocupavam com a verdade, mas apenas com a apresentação da vertente mais conveniente para os seus interesses. Isto anula parte da fidelidade dos seus relatos.

 

Devemos estudar documentos originais, nunca estudados ou interpretados. Existem, precisam é de ser encontrados.

 

No século XVI enforcaram-se os padres franciscanos que ousavam levantar dúvidas acerca da morte de D. Sebastião em Alcácer-Quibir. Os dominicanos trabalharam com o Santo Ofício e este com o poder entronado. Não havia vontade de se saber algo mais concreto acerca de D. Sebastião. As diferentes obras publicadas acerca de relatos da batalha carecem sempre da concordância do Santo Ofício, o que anulava qualquer divulgação de conhecimentos não condizentes com a versão oficial.

 

Os primeiros a lançar pesquisa sistemática acerca do que acontecera foram os alemães. Era do neto do seu Imperador que se tratava. Até enviaram pesquisadores a Veneza, porque existia grande convicção de que o chamado 3º Falso Sebastião, o que apareceu em Veneza logo após a morte de Filipe II de Espanha, tenha sido o verdadeiro.

 

Aos Filipes não convinha que D. Sebastião voltasse!

 

Aos fanáticos dentro da Igreja também não!

 

Aos proponentes da Casa Ducal de Bragança como nova Dinastia Lusa também não!

 

Então quem é que queria saber a verdade? Apenas alguns estudiosos estrangeiros?

 

NÃO! O povo sempre quis saber a verdade e duvidou das explicações oficiais.

 

O povo sempre sentiu estar mais perto da verdade, embora não o soubesse explicar ou exprimir!

 

Apenas em Portugal existe um majestoso mosteiro (o dos Jerónimos, em Lisboa, à antiga beira do Tejo), onde se apregoa algo incompreensível aos cérebros lógicos e racionais. Mostram-se três sarcófagos imponentes mas enganosos. Um é o de D. Sebastião, com a inscrição (traduzida do latim): “SE É VERA A FAMA, AQUI JAZ SEBASTIÃO, VIDA NAS PLAGAS DE ÁFRICA CEIFADA. NÃO DUVIDEIS QUE ELE É VIVO, NÃO! A MORTE LHE DEU VIDA ILIMITADA”. Outro é o de Vasco da Gama, que nunca nele entrou e o terceiro é o de Luís de Camões, que, na realidade, acabou por ser enterrado em vala comum! Os três túmulos albergam dos mais significativos capítulos escritos pela alma lusa, algo que apenas quem ama Portugal compreende.


Tudo o que temos acerca de D. Sebastião é uma longa lista de perguntas por responder:

 

Terá de facto trocado de cavalo e armadura com o seu escudeiro em plena batalha?

 

Foi o seu escudeiro que morreu em vez dele?

 

Os nobres lusos, prisioneiros dos marroquinos, que foram reconhecer o seu corpo fizeram-no devido ao elmo, pois tinha a cara desfeita. Quando o incluíram na negociação do seu resgate e trouxeram de volta a Portugal, saberiam que era a personagem errada, afim de evitar o levantamento de dúvidas, para que se deixasse de procurar o Rei?

 

Terá D. Sebastião de facto regressado ao Algarve e, caído em si de vergonha, pela desgraça causada à nação, se tenha escondido numa cabana de um pescador?

 

Terá D. Sebastião tido o tal encontro na fronteira de Espanha com o seu tio, Filipe II, combinando os dois o regresso de D. Sebastião, quando as coisas do Estado estivessem restabelecidas e a ocasião fosse propícia? O que é um facto é que o comportamento de Filipe I de Portugal, para com o Mundo Português e a lusa gente, foi significativamente diferente do depois aplicado pelos seus sucessores, que consideravam Portugal um feudo ou colónia.

 

O facto do 3ºFalso D. Sebastião se ter pronunciado como verdadeiro, precisamente após a morte de Filipe I, dá que pensar.

 

E as tenças pagas pela Casa de Bragança aos herdeiros de D. António Prior do Crato, nomeando-os embaixadores de Portugal (intervieram no Tratado de Utrecht), sem autorização para pisarem terras lusas? O mesmo aconteceu a uma família do norte de África, supostamente descendente de D. Sebastião.

 

O próprio filho de D. António Prior do Crato foi a Veneza e reconheceu D. Sebastião como seu Rei!

 

Qual a razão do forte desentendimento entre D. Sebastião e seu tio, o Cardeal D. Henrique (Inquisidor Mor), ao ponto do Rei lhe proibir entrar no Palácio e de impedir que funcionários seus aceitassem cartas do Cardeal a si dirigidas?

 

Como se entende a alegria manifestada todos os anos na data da batalha de Alcácer-Quibir pelos sefarditas de Tanger, que festejam a morte do nosso Rei, quando foram os cristãos-novos de Lisboa que pagaram metade dos custos da campanha?

 

Como se explicam as estranhas mortes dos 9 filhos de D. João III, incluindo a do Infante D. João, pai de D. Sebastião, que faleceu poucos dias antes do nascimento do filho?

 

Como se explica a estranha libertação de Damião de Góis dos calabouços do Santo Ofício e o seu assassinato numa albergaria quando ia a caminho para falar com D. Sebastião?

 

Como se explica uma partida para Marrocos, em pleno Verão, fortemente desaconselhada ao jovem monarca por todos os conselheiros militares?

 

Porque razão quase nunca se menciona que D. Sebastião já se ter tinha deslocado ao norte de África anteriormente e aí entrado em combate?

 

Porque não se menciona quem ordenou a aniquilação da Ordem de Cristo como ordem religiosa militar, transformando-a em mera ordem monástica?

 

Porque não se menciona que D. Sebastião pediu ao Papa a restauração da Ordem de Cristo como ordem religiosa militar, o que foi por este negado?

 

Tudo isto e muito mais merece ser estudado.

 

O aparecimento do elmo de batalha de D. Sebastião teve uma consequência inesperada: o aparecimento espontâneo de um “NÚCLEO DOS AMIGOS DO ELMO”. Os seus membros declararam por escrito que “amam Portugal” e colocam este seu sentimento acima dos seus interesses pessoais.

 

Com isto, ultrapassam grande parte dos historiadores encartados e bem merecem todas as ajudas possíveis. Nenhuma delas será financeira. Não haverá movimentação de capitais nem atribuições de títulos. Todos trabalharão como voluntários e iguais entre iguais, dentro do que lhes for possível e a favor do bem comum. Este é o restabelecimento da verdade histórica acerca de D. Sebastião e de tudo o que à retoma da sua defesa da Pátria estiver ligado.

 

Assim, pede-se a quem souber de qualquer documento ou objecto, que possa oferecer alguma luz acerca D. Sebastião, que informe do mesmo os membros do núcleo, por correio electrónico que se encontra na página do Facebook em http://www.facebook.com/home.php?sk=group_166483290056611 ou pelo blog www.projectoapeiron.blogspot.com ou que se informe através do Google em núcleo dos amigos do elmo.

 

Pode também fazê-lo por carta dirigida ao Museu-Luso-Alemão, sito na Quinta Wimmer, 2605-213 BELAS, (Fax: 21 431 31 35), onde já se reuniram muitas dezenas de documentos e objectos ligados a D. Sebastião, juntos por gerações, que souberam manter o seu respeito e carinho por esta personagem ímpar e tão incompreendida da nossa História.

 

Aqui vai a imagem do elmo de batalha de D. Sebastião, que outrora fez parte do conjunto usado pelo DESEJADO, representado no quadro atribuído a Cristóvão de Morais, no Museu Nacional de Arte Antiga.

 

Se o elmo pudesse falar, o Portugal dos nossos netos não sucumbiria a estatísticas incolores, mas mostraria a sua presença de velas enfunadas, bem-vindas por todo globo!

 

Belas, 31 de Dezembro de 2010

 

 Rainer Daehnhardt

 

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Sábado, 2 de Abril de 2011

TRIBUTO AO JAPÃO

 

O mundo inteiro tem assistido, horrorizado, ao descomunal desastre a que o Japão está sendo acometido. E se acompanhamos a sua dor, ao mesmo tempo nos rendemos à sua extraordinária capacidade de sofrimento e serenidade.

Hoje fui buscar um texto do sempre grande admirador e apaixonado pelo Japão, Wenceslau de Morais, que nos dá uma pequenina ideia da filosofia deste povo, que apesar de tudo não elimina a sua dor. A dor de cada um não há quem possa medir. E toda a dor merece o nosso respeito.

Transcrevi há dias um texto do livro “O Bon-Odori em Tokushima”, mas vem agora a propósito a explicação do título deste livro.

 

 

A dança do Bon-Odori

Bon-Odori. Estranha frase japonesa; mais do que estranha, – incompreensível -, para leitores da minha terra. Eu explico. Bon é um vocábulo budístico, que significa a festa dos mortos. Com efeito, há no Japão, em cada ano, um período, geralmente de 13 a 15 do 7° mês do ano lunar, durante o qual se festejam os mortos; festejam, o que marca profunda distinção entre esta comemoração japonesa e a comemoração católica do Dia de Finados. Odori quer dizer simplesmente: dança. Bon-Odori é pois a dança da festa dos mortos, mística cerimónia congratulatória, persistindo desde os remotos tempos bárbaros, pela qual a família japonesa honrava por todo o império os seus defuntos; honrava e honra ainda, onde a ocidentalização dos costumes, na sua acção demolidora, ainda não abriu brechas nas velhas crenças, nas usanças populares.

Tokushima, onde me encontro, é uma cidade tranquila da costa da ilha de Shikoku, pouco distante de Osaka e de Kobe; mas cujo povo se mostra estranhamente conservativo nos seus costumes. A cidade é famosa, desde tempo distante até hoje, pelo seu Bon-Odori.

Ora, em Kobe, onde fiz uma longa permanência, gente de Tokushima contava-me frequentemente maravilhas do seu portentoso Bon-odori. Tantas vezes as alusões se repetiram, tantas vezes o shamisen, a guitarra indígena, me tocou aos ouvidos a toada com que a chusma vai rompendo pelas ruas e dançando ao mesmo tempo, que há cerca de seis ou sete anos, desejoso de ver pelos meus olhos o Bon-odori em Tokushima, decidi-me por uma excursão de poucos dias, indo à cidade em época própria. Completa desilusão, porém tempo perdido. A quadra é traiçoeira. É então que se desencadeiam vulgarmente os terríveis tufões do mar da China; atingindo por vezes as costas do Japão, já enfraquecidos de ímpetos, mas ainda bastante tormentosos para causarem no país graves estragos.

Mas falemos da excursão. Já quando eu ia de viagem, a bordo de um pequeno vapor de carreira, de Kobe para Shikoku, o vento começou a soprar rijo, o céu a anuviar-se, o mar a enfurecer.

Em Tokushima, um temporal tremendo, rajadas formidáveis; chuvas diluviais; a cidade inundada; perdas de vidas; destroços importantes; um, de entre muitos, foi a completa demolição da ponte de Tomidá, só há pouco reconstruída. Claramente, não se comemorou naquele ano o Bon-odori em Tokushima.

Há pouco arremessou-me o destino de novo a esta cidade, não por alguns dias, mas por muitos dias; onde venho viver; onde, talvez venho morrer; ...

Vi, há alguns meses, por uns belos dias estivais, o Bon-Odori em Tokushima, em todo o seu clássico brilhantismo, em todo o seu místico frenesi de festa consagrada a todos os defuntos; dias de excepcional confraternização terrestre entre vivos e mortos, cada qual acarinhando os seus entes queridos que se foram e que envolvem, em espírito, ao lar familiar, por curtas horas; eu, pobre ignaro, de mistura com a multidão dos crentes, evocava também, por sugestão do meio, alguns mortos do meu conhecimento.

Comento agora: provavelmente, continuarei a ver aqui o Bon-Odori, por mais um ano, por mais dois anos, por mais três, eu sei lá... e após um ano virá, próximo, sem dúvida, em que o Bon-Odori volte a animar as ruas da cidade com as suas procissões festivas, Bon-Odori que eu então não verei, mas de cuja comemoração piedosa a minha alma penada, de forasteiro, que teve o capricho de vir aqui depor o mísero despojo do seu invólucro terrestre, poderá reclamar, não sei se com pleno consentimento de Buda, uma parte em seu favor...

---

Gostaria de me juntar a um próximo Bon-Odori. Mas como ocidental, em vez de dançar, eu choraria pelos seus mortos.

Com a lição que o mundo está a receber do civismo e da filosofia dos japoneses, muito lhes desejamos que não deixem enfraquecer, muito menos desaparecer, as suas tão bonitas tradições.

 

Rio de Janeiro, 18 de Março de 2011

 

Francisco Gomes de Amorim

 

Foto:http://www.google.pt/imgres?imgurl=http://www.cozinhajaponesa.com.br/images/200711/0002_Bon_Odori_Dancer.jpg&imgrefurl=http://www.cozinhajaponesa.com.br/V04/artigosjaponeses_d.asp%3Fs%3D2%26c%3D1&usg=__UW5BZhd9zxuheJGADO-8DMTzjno=&h=480&w=640&sz=174&hl=pt-pt&start=0&zoom=1&tbnid=g0s7aHhdgP9BgM:&tbnh=120&tbnw=126&ei=CZaJTfCfMc7xsgbP2Z2kDA&prev=/images%3Fq%3DBon%252BOdori%26um%3D1%26hl%3Dpt-pt%26sa%3DN%26biw%3D1007%26bih%3D681%26tbm%3Disch&um=1&itbs=1&iact=hc&vpx=250&vpy=408&dur=1467&hovh=194&hovw=259&tx=130&ty=113&oei=CZaJTfCfMc7xsgbP2Z2kDA&page=1&ndsp=20&ved=1t:429,r:16,s:0

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Sexta-feira, 1 de Abril de 2011

O FEITIÇO DE ÁFRICA

 

 

 

Ontem fui abastecer o carro de gasolina. A empregada que me atendeu era muito morena, quase negra, mas não tinha aquelas feições tão características dos negros. 

 

Perguntei-lhe: "Você donde é?" "Sou de Angola", respondeu-me sem hesitar. "De Luanda?", insisti. "Não, sou da Lunda, do interior, para leste". O seu nome próprio era português, que já esqueci, mas o apelido era Henda. "Você é luena, lá para Vila Luso?", avancei. "Sim, sim, sou luena". "E você ainda fala luena?" "Eu já não falo, mas quando a minha avô me fala em luena, eu entendo." 

A moça, ainda bastante nova, perdera o conhecimento activo da sua língua original, mas conservava ainda o conhecimento passivo. 

"Como se diz "filho" em luena? "Mona"?", aventurei. A moça abriu-se num sorriso de satisfação: "É sim! "Mona iami", "meu filho". Eu acertara em cheio.

 

 Em quimbundo, a língua do Cuanza Norte  (Luanda e Malange), filho diz-se "mona" e faz o plural "ana". [A letra da "Portuguesa",  traduzida para quimbundo, começa assim "Ana a kalunga" = "Filhos do mar]. Nesta língua, "meu filho" diz-se "mon'ami". Isto não quer dizer, evidentemente, que o quimbundo e o luena sejam inteligíveis entre si, mas muita coisa deve haver em comum, pois são duas línguas da mesma família, a família linguística bantu.

 

Quando cheguei a casa fui consultar um livro sobre os luenas que comprei num alfarabista há já bastantes anos, e lá encontrei "muâna" = filho, "iami" meu.

A moça da estação de serviço ficou encantada com o meu conhecimento, por muito pouco e rudimentar que fosse, e despedimo-nos com um aceno amigável de mãos. Fiquei contente.

 

 

«Mulher Luena», pintura de Neves de Sousa (*)

 

O livro referido foi impresso em Lisboa pela Agência Geral do Ultramar em 1954,  e foi escrito em 1932 ou 33 pelo Chefe das Circunscrições de Fronteira do Dilolo e do Além-Zambeze. Em anexos mostro o aspecto da capa do livro e uma fotografia do autor, tirada em terra de luenas, junto da lago Dilolo,  em 1927, com uma bebé filha do soba local.  

E pensar que se essa menina sobreviveu até hoje, terá os seus 85 anos!

 

O livro tem muitas fotografias, mas de pouca qualidade, e um vocabulário luena-português.


27 de Março de 2011


Joaquim Reis

 

(*) http://bp0.blogger.com/_yEum_8cpb_s/SGe3-yIAz1I/AAAAAAAAC94/61cpWygATWU/s1600-h/ZNS+-+Mulher+Luena.jpg

 

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