Sábado, 12 de Março de 2011

A PONTE DA AJUDA E A VENDA DO FORTE DA GRAÇA

 

 

No início do século passado o Rei Dom Carlos encontrou-se com o Rei de Espanha e decidiram reparar a ponte da Ajuda, destruída em 1709, por onde passavam as tropas de Elvas e Estremoz que iam ajudar a guarnição de Olivença quando atacada pelos espanhóis.

 

A destruição da ponte fez perigar Olivença que veio a ser perdida no início do século XIX, já no contexto das guerras napoleónicas. Mas, no Congresso de Viena, em 1815, Olivença foi restituída a Portugal, por troca com a restituição a Espanha de Montevideu, que, entretanto, as tropas portuguesas do Brasil tinham conquistado. O acordo foi assinado pelos dois países e nós cumprimos restituindo Montevideu, mas os espanhóis não restituíram Olivença. A diplomacia portuguesa não pode, assim, deixar de reivindicar o território e o Estado Português continuou durante muito tempo, e não sei se ainda agora, a reconhecer o direito à nacionalidade portuguesa de todos os nascidos em Olivença.

 

Mas passou-se muito tempo e as relações entre os dois países são hoje verdadeiramente amigáveis. O que podem sentir os portugueses que visitam Olivença é que ali é Espanha e foi Portugal. Agrada-nos ver o carinho com que o Município de Olivença cuida das velhas coisas portuguesas. Visitar Olivença é importante para nós porque nos permite um olhar que nos ensina muito sobre o nosso país. O lítigio antigo entre os dois países transformou-se, assim, num motivo de aproximação.

 

À diplomacia portuguesa basta manter as suas rotinas sem se preocupar com o assunto. É sintomático que, no curso da recente eleição para a Presidência da República, nenhum jornalista tenha interrogado nenhum dos candidatos sobre esta questão.

 

Há, no entanto, um problema que exige uma decisão a curto prazo. Já há uma nova ponte que liga Elvas a Olivença em boas condições. A velha ponte da Ajuda, embora ainda com interesse local, já não é muito importante. Mas tem uma grande importância simbólica. Tem havido negociações entre os dois países sobre sua reparação e não se sabe, ainda, a que entendimentos vão chegar.

 

A ponte cortada é o símbolo da uma nossa ligação muito especial a Olivença. Reparada, facilita as ligações actuais. Mas permite também aos espanhóis dizer que é uma ponte como outra qualquer entre Portugal a Espanha,.fazendo esquecer que, no passado, foi uma ponte inteiramente em território português.

 

O que é que Portugal vai decidir? Penso que devemos deixar que a decisão seja tomada pelos munícipes de Elvas e Estremoz. São eles que têm interesses actuais relacionados com o assunto e, simultaneamente, podem sentir com mais intensidade a carga histórica da separação de Olivença. Parece-me que, neste caso, Portugal inteiro deve pedir a opinião dos Municípios de Elvas e Estremoz. A sugestão que dou é, assim, que as Assembleias Municipais de Elvas e Estremoz promovam debates sobre este assunto, que sobre ele promovam referendos concelhios se os julgarem úteis e que os órgãos do poder nacional se limitem a adoptar a opinião dos dois Municípios.

 

Um outro assunto que tem que ver com a nossa soberania é o da venda do forte da Graça. A primeira vez que vi nos jornais notícias sobre o assunto foi numa altura em que era Primeiro Ministro o Professor Cavaco Silva. O Ministério da altura não se apercebeu, certamente, da gravidade do assunto.

 

O forte da Graça, situado no cimo de um morro a Norte de Elvas, que durante muito tempo foi usado como presídio militar - dele fugiram o Capitão Almeida Santos e outros implicados na revolta da Sé - é um primor da arquitectura militar do século XVII, que até há bem pouco tempo foi objecto de estudo dos alunos de Engenharia da Academia Militar.

 

Se for vendido a privados, os compradores podem bloquear os acessos terrestres com blocos de cimento e, deslocando-se só de helicóptero, fazer do forte um espaço inteiramente inacessível às Autoridades, em que, protegidos pela legislação europeia, se podem dedicar ao consumo de drogas, à pedofilia, à armazenagem de armas, a actividades terroristas, ao contrabando, ou a actividades similares.

 

Para as autoridades portuguesas não terem nenhuma base legal para entrar no forte, aos proprietários basta-lhes que não cometam nenhum delito em território português, o que será fácil para quem só se deslocar de helicóptero. O problema da venda do forte da Graça é, portanto, um problema de soberania nacional e compete ao Presidente da República impedir, em absoluto, que ele saia do controle das autoridades nacionais.

 

Mas é preciso encontrar uma solução para o assunto porque o Exército deixou vandalizar o forte e o estado em que se encontra é vergonhoso. Uma solução será, talvez, permitir, mediante protocolos, a instalação no forte de instituições como “ Os amigos de Olivença”, escoteiros, instituições culturais, Albergues da Juventude, colónias de férias, associações de antigos combatentes, etc., etc.

 

(20 de Jan. 2011)

 

António Brotas

 

Nota adicional: No Google pode-se encontrar a informação de que foi o exército espanhol que dinamitou a ponte em 1709. A informação está errada porque na altura não havia dinamite. O exército espanhol usou, certamente, a pólvora para....dinamitar a ponte. Em qualquer caso, se o Rei Dom Carlos se tivesse lembrado, a informação podia-lhe ter servido para aceitar o pagamento de metade da obra, ou mesmo exigir o seu pagamento integral pelos espanhóis sem problemas de soberania nacional. Uma vez que tinha sido o exército espanhol que tinha destruído a ponte, que na altura estava em território português, era legítimo, como o é ainda agora, exigir, sem qualquer problema de soberania, que sejam os espanhóis a pagar a reparação.

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Sexta-feira, 11 de Março de 2011

PORTUGUÊS EXCLUÍDO COM A CUMPLICIDADE DO GOVERNO

Agora que o Parlamento Europeu pôs na ordem do dia a votação das línguas a empregar no regime europeu de patentes muitos dos nossos deputados comportaram-se como mercenários de legiões estrangeiras.

 

O Português foi excluído com a cumplicidade do nosso governo. Ficou só a ser em inglês, francês e alemão.

 

Esta iniciativa desrespeita a igualdade e discrimina a capacidade de concorrência no mercado interno. Assim, os mais fortes ficam ainda mais competitivos. Facto é que o Instituto Europeu de Patentes tem seis mil funcionários… Os portugueses que paguem o serviço.

 

Fonte competente revela que votaram “a favor do interesse nacional, só CDS (Nuno Melo e Diogo Feio), PCP (Ilda Figueiredo e João Ferreira) e dois PSD (Carlos Coelho e Graça Carvalho). Contra o interesse nacional, votou todo o PS e a maioria do PSD”.

 

Os nossos boys são bem comportados. Depois os países fortes dão-lhes alguns tachos que os compensam do que roubam a Portugal. Depois queixam-se que Portugal vai mal. A democracia diminui em benefício da partidocracia.

 

Esperemos que os espanhóis levem a coisa a tribunal!

 

 António da Cunha Duarte Justo

www.antonio-justo.eu

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Quinta-feira, 10 de Março de 2011

OS HISTORIADORES RENEGADOS DE PORTUGAL – 1

 

 

A Pedra de Dighton

 

Infelizmente ainda continuam a existir várias dezenas de acontecimentos e personalidades históricas de Portugal que nunca foram pesquisadas nem diagnosticadas -- com a técnica de autópsias -- porque os chamados historiadores universitários preferem manter um estado de controvérsia para poderem usar mais paleio nas suas aulas e assim impressionar os seus alunos, revelando-se que são realmente sabichões!

 

Estes professores são autênticos renegados da História de Portugal! Vamos encontrar a maior concentração de historiadores renegados nas Universidades Nacionais Portuguesas, porque ganham o mesmo, não investigando NADA!

 

Há mais de 40 anos nas minhas viagens a Portugal, a primeira coisa que eu fazia era ir às livrarias e procurar livros escritos pelos vários historiadores de Portugal que tratassem dos Descobrimentos Portugueses. E gastei muita “massa” neste projecto!

 

Em pouco tempo apercebi-me que esses livros foram escritos por historiadores que usaram uma grande variedade de adjectivos diferentes, não apresentando NADA de novo, mas todos eles tiveram o cuidado de emitir as suas “doutas opiniões” renegando os protagonistas ou os feitos históricos.

 

Estes historiadores renegados não sabem fazer uma REFUTAÇÃO porque não sabem procurar, nem analisar, nem fazer uma autópsia a um documento ou a um monumento. Porquê? Porque estes historiadores renegados não saem da sua universidade nem da biblioteca em sua casa, para se deslocar, irem aos locais onde se encontram os dados históricos e examiná-los com as técnicas científicas modernas.

 

Vou citar apenas três casos históricos que têm sido e continuam a ser renegados pelos chamados grandes historiadores de Portugal:

(1) As inscrições portuguesas gravadas na Pedra de Dighton pelo navegador Miguel Corte Real em 1511.

(2) A Portugalidade do Navegador Cristóvão Colon, ou Colombo.

(3) A Descoberta da Austrália pelo Navegador Cristóvão de Mendonça em 1522.

 

 http://www.dightonrock.com/Dighton-face-1.jpg

 

Nós, Médicos, ao ensinarmos Medicina apresentamos o doente em frente da classe para os alunos fazerem perguntas ao doente sobre os sinais e sintomas e depois discutimos todos juntos o diagnóstico e o tratamento da doença.

 

É assim que se deve ensinar. Era assim que os Professores de História deviam também fazer. Apresentar directamente aos alunos a matéria a ser diagnosticada e deixar os alunos refutar ou concordar com o diagnóstico corrente.

 

Todos os alunos se devem envolver para que a aprendizagem seja muito mais proveitosa. A atitude de “Magister dixit” era usada no tempo da Idade Média. Agora, nos tempos modernos, isso está fora de moda!

 

Para se fazer o diagnóstico das inscrições gravadas na Pedra de Dighton é preciso usar-se as técnicas da Arqueologia e mais especificamente as técnicas da Epigrafia.

 

As inscrições gravadas na Pedra são a prova irrefutável do diagnóstico. Não é qualquer pergaminho que possa existir em Portugal.

 

Mas até à data (2010) ainda NÃO veio NENHUM historiador especifico universitário de Portugal examinar no local a face da Pedra de Dighton que agora está protegida dentro dum museu, em Berkley, Massachusetts, E. U. A.

 

Como é que podem fazer o diagnóstico correcto das inscrições a mais de três mil milhas de distância? Isso é ser um profissional desonesto!

 

As inscrições da Pedra de Dighton são muito simples. Constam de:

(1) Nome do Capitão, Miguel Corte Real, ao centro

(2) Os Escudos Nacionais Portugueses em forma de “U” e “V”

(3) Quatro Cruzes da Ordem de Cristo com extremidades em 45º.

(4) Data de 1S11 com o algarismo em formato de um S maiúsculo.

 

  Manuel Luciano da Silva

                   Médico

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Quarta-feira, 9 de Março de 2011

GERAÇÃO À RASCA

 

http://www.youtube.com/watch?v=r5rJ-1xbWdc&feature=email

 

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Terça-feira, 8 de Março de 2011

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

 Suave determinação

Capacidades profissionais

Desperdício humano

 

Uma sociedade é tão evoluída quanto elevado for o estatuto da mulher

 

 

In http://pt-pt.facebook.com/permalink.php?story_fbid=1633208506200&id=1116291713

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Segunda-feira, 7 de Março de 2011

HISTÓRIA GERAL DE ÁFRICA

 

8 volumes da edição completa

 

Brasília: UNESCO, Secad/MEC, UFSCar, 2010.

 

Resumo: Publicada em oito volumes, a colecção História Geral da África está agora também disponível em português. A edição completa da colecção já foi publicada em árabe, inglês e francês; e sua versão condensada está editada em inglês, francês e em várias outras línguas, incluindo hausa, peul e swahili. Um dos projectos editoriais mais importantes da UNESCO nos últimos trinta anos, a colecção História Geral da África é um grande marco no processo de reconhecimento do património cultural da África, pois ela permite compreender o desenvolvimento histórico dos povos africanos e sua relação com outras civilizações a partir de uma visão panorâmica, diacrónica e objectiva, obtida de dentro do continente. A colecção foi produzida por mais de 350 especialistas das mais variadas áreas do conhecimento, sob a direcção de um Comité Científico Internacional formado por 39 intelectuais, dos quais dois terços eram africanos.

 

Download gratuito (somente na versão em português): http://www.unesco.org/pt/brasilia/dynamic-content-single-view/news/general_history_of_africa_collection_in_portuguese/back/9669/cHash/d6c86ae49c/

 

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Domingo, 6 de Março de 2011

HISTÓRIA EM LISBOA - 1

 

«Hoje são campos onde foi Tróia» [1]

 

Meava o séc. XVI quando ali, onde começava o juncal na margem do Tejo e nele confluíam as ribeiras de Alcântara e do Alvito, um rico mercador genovês decidiu assentar arraiais mandando construir um casarão a que o povo chamava palácio. Ali desfrutava da brisa nas noites quentes e geria à vista os barcos que tinha por conta, fundeados ao largo, em escala das rotas entre o norte da Europa e os confins do Mediterrâneo. Era a partir daquela enseada que mandava rumar para a Flandres, para Génova ou para o resto daquele mundo.

 

Vivendo em Portugal, entendeu que devia contribuir com os seus cabedais para o bem do reino: fez empréstimo vultoso às tropas de D. Sebastião que zarpavam para Marrocos e tudo perdeu.

 

Anos depois do desastre de Alcácer Quibir, as tropas do rei de Espanha, desembarcadas em Cascais, encontraram-se nas margens daquela enseada com as que eram fiéis ao Rei D. António, Prior do Crato. Ao fim de três dias de luta, foi ali que Portugal chorou.

 

O novo Rei, Filipe, gostou do local e decidiu que quando viesse a Lisboa passaria a residir naquele palácio. Confiscou-o. Sem dinheiro e sem palácio que lhe desse crédito, do genovês nunca mais se ouviu falar.

 

E assim foi que o casarão perto do início do juncal passou a servir de morada aos reis espanhóis em Lisboa. Não vieram cá tanto como gostariam pois a consciência devia dizer-lhes qualquer coisa especial e foi mais o tempo que andaram pela Meseta do que pela foz do Tejo.

 

Frente ao palácio havia um terreiro e já quase sobre a praia o genovês mandara construir as cavalariças e aposentos da criadagem. Do outro lado do caminho que da praia subia para a encosta mandou o rei Filipe I construir um convento e respectiva Igreja para as freiras Flamengas em fuga da reforma calvinista na Flandres. Frente a este, do outro lado do caminho que levava ao longo do Tejo e já sobre a praia, foi construído outro convento, desta feita para as freiras do Monte do Calvário.

 

Morada dos reis Filipes quando por cá passaram, no palácio residiram por períodos consideráveis os Reis D. João IV, D. Afonso VI e D. Pedro II. D. João VI ainda por lá pernoitou uma ou outra vez mas Junot já não quis lá ficar pois achava que o local estava muito exposto a eventuais surtidas inglesas Tejo adentro.

 

 

Do palácio nem a sombra restou; «Hoje são campos onde foi Tróia»

 

Desprezado, cedo entrou em degradação e já então faltaram as verbas para preservar um edifício historicamente tão rico. Foi mais barato demoli-lo e suprir alguma da calista sofreguidão pública por finanças privadas dedicando o local à especulação imobiliária.

 

  

Sobre a praia, as cavalariças do genovês

 

Ao terreiro do palácio chamamos hoje Largo do Calvário, ao juncal que se estendia a partir daquela zona da margem do Tejo chamamos Junqueira, nas cavalariças está actualmente instalada “A Promotora”[2], a Igreja das Flamengas continua aberta ao culto, o convento do Monte Calvário é agora a Academia Superior de Polícia e no sítio onde esteve o palácio... «hoje são campos onde foi Tróia». E nós passamos por lá sem sequer tirarmos o chapéu em sinal de respeito por tanta História que por ali se escreveu. Mas como poderíamos tirá-lo se nem sequer o usamos? É claro que é mesmo só por isso que não demonstramos qualquer respeito pelos locais que atravessamos e pelas pedras que pisamos...

 

 

A Igreja das Flamengas continua aberta ao culto

 

E quanto ao genovês, eu hei-de descobrir-lhe o nome pois não é com esquecimento que se paga uma dívida a quem tanto fez para servir Portugal.

 

Henrique Salles da Fonseca

 

[1] - Padre Raphael Bluteau, 1712

[2] - Sociedade Promotora de Cultura Popular, dedica-se há cerca de um século à instrução das populações, nomeadamente ministrando o Ensino Básico e alfabetizando adultos

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Sábado, 5 de Março de 2011

SER ELISTA

 

 

Sempre que queremos deixar algo transparecer de nosso íntimo, falamos daquilo de que mais gostamos e temos em nós como fonte de bem e de amor. Assim, falaremos da cultura com vida, como sentido e propósito para o tempo de permanência no planeta Terra.

 

O homem não pode viver de forma solitária, a menos que assim faça a sua escolha ou que seja este o seu propósito de vida. Mas, o que é certo, mais cedo ou mais tarde, as pessoas solitárias descobrem que não se expandem no altruísmo, na solidariedade, no seu amor humano que é de relacionamento; o amor ao próximo.

 

Então, os mais sensatos unem-se em grupos. E esse sentimento grupal ensina e se confraterniza; e o homem aprende a dividir para aumentar o seu potencial de vida, de amor, de intenções e propósitos. Convive com o outro, e isto satisfaz o seu desejo de multiplicar-se, de se tornar digno perante o amor e a amizade, constituídos por exemplos que cada qual possa dar.

 

Assim são os Elistas que se unem em grupos chamados ELOS CLUBES. São verdadeiros baluartes das lutas, das disputas saudáveis e condizentes com a dignidade humana, dentro da cultura e dos preceitos morais que a regem.

 

O Elista é e precisa ser alguém com quem se possa contar, pois tem conhecimento e consciência de seu potencial humano e vivência as várias experiências trazidas pelos Membros de seu Clube. E quando se reúnem em “Encontros” como este, convenções, quer de âmbito nacional ou internacional, crescem os seus conhecimentos, e sua cultura se desdobra para um entendimento maior em favor do Movimento Elista, para que este jamais venha a estagnar-se.

 

E que se somem uns aos outros, nos mesmos ideais de vida, de luta pela preservação da Língua Mater, sempre no melhor de seus intentos e em favor da Causa Maior. Este é o “moto continuum”, um subir de degraus para alcançar o topo da sabedoria, cujas lições são valiosas por serem carregadas de experiências vividas e tidas como válidas por todo o grupo, que deixa de ser individualista para ser uma UNIDADE – uma célula grupal criando uma força de Egrégora, cujos pensamentos estarão voltados para o bem comum... É uma Comunidade!

 

Eis o Ideal do Elista. Sempre em acção altruísta, onde a partilha existe por ser benéfica e solidária, plenamente consciente do que se quer e se tem de fazer. Obedece as normas, estatutos, juramentos, sempre no sentido de trazer mais e mais benefícios e superioridade, força e equilíbrio para os componentes; para todos, sem distinção, desde que professem os mesmos ideais e se mantenham na mesma linha de conduta.

 

Nossa ORAÇÃO ELISTA é o símbolo da espiritualidade. Os PRINCIPIOS ELISTAS formam o triângulo perfeito das leis morais e, em vista disso, o Elista deve ser o Elo mais eloquente que a sociedade possa ter, pois ele se torna o baluarte da sinceridade em seus propósitos e no refinamento de seu espírito, na subtil habilidade de ser útil a si e aos outros.

 

Este é o perfil do ELISTA, pois propugna pela elevação dos pensamentos, palavras e acções. Ele deve ser a expressão máxima do patriotismo, da manifestação do amor e da amizade com veracidade, quer para si mesmo, quer para a sociedade em que vive. E, particularmente, pelo seu Clube, pelo seu Distrito e pelo Ideal Elista engrandecido universalmente.

 

Sou pelo Amor Universal que nos inspira e nos orienta perante nossos Ideais.

 

 Cidinha Frigeri - Acordeon Maria Aparecida Frigeri

Presidente Elos Clube de Londrina – 2008/09

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Sexta-feira, 4 de Março de 2011

SALERO MEGALÓMANO

 

 

A minha amiga anda num rebuliço de excitação, lembrando as suas qualidades de profetisa de há muitos anos a esta parte. E assim nos pegámos, que eu também sempre que posso, profetizo, não sei como é que ela achou que só ela é que profetizava. Só pode ser pela sua elegância salerosa, descendente das raças que lêem a sina. Mas expliquei-lhe que, por ser mais baixa e gorda, não me eximo a dizer coisas, que aliás muitos outros disseram e continuam dizendo, que é o que sabemos mais: dizer. E por muito que se diga, por muito que fique dito, não passa disso, de ditos.

 

Disse. “Dixi”, se quiser dizer com mais pose, e assim revelar que se pode mergulhar no mundo dos antigos, que tanto se fartaram de dizer. Foi o próprio Cícero que lançou para a posteridade o “O tempora! O mores!” que ainda hoje há muitos que repetem, até mesmo a brasileira Cidinha Campos, que, absolutamente sem papas na língua, a propósito do tema do leite para os pobrezinhos, se alargou em considerandos sobre os que mamam e mais ainda todos os habituais da corrupção.

 

Desta vez, o que provocou o discurso inflamado da minha amiga foi a respeito da violência dos filmes para a infância, como um bom ponto de partida para os desvios morais juvenis. Sempre culpara a sociedade por isso, pela indiferença e a apatia com que se aceitam tais programas nas televisões, que se prolongam em telenovelas de exibição de atitudes marcadas por irracional deselegância juvenil, para com os mais velhos apáticos ante a grosseria inútil de uma juventude que mais não tem para dar a não ser isso.

 

Disse a minha amiga que há vinte e mais anos já preconizava a torpeza da agressividade actual, que vem em notícias diárias, de gente nova matando, estropeando os próprios pais, e eu voltei a lembrar – coisa que faço há largos anos também – a responsabilidade das doutrinas dinamizadas há muito, de bondade para com as crianças, que chamam mais a atenção para os seus direitos do que para os seus deveres e que invertem totalmente os papéis, tanto dos pedagogos como dos discípulos, com o sentido da liberdade proporcionando o dilatar desregrado – as mais das vezes desbragado - de experiências e de auto-suficiências de aprendizes de feiticeiro, sem passarem pelo cadinho do conhecimento, muitas vezes travão da irracionalidade. Muitos filmes mesmo - como “O Clube dos Poetas Mortos” - traduzem essa amplitude de liberdade, coroada por uma aura de encanto em sátira contra a burguesia nos seus anquilosamentos preconceituosos e dirigistas.

 

Muitas outras causas há - entre as quais o esbatimento do significado de família - de chegarmos ao actual estado de decadência social quase se diria selvática, se não tivéssemos confiança, apesar de tudo, nas competências das várias instituições, que poderão contribuir sempre para limar as arestas das convulsões que tanto encolerizaram hoje a minha amiga.

 

Mas a minha amiga também descrê das competências institucionais, “dixit”.

 

Berta Brás

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Quinta-feira, 3 de Março de 2011

RAIZ, TRONCO E FLOR DA LÍNGUA MÃE

 (*)

 

De entre uma plêiade muito vasta de gente que devotou parte considerável da sua vida à divulgação da Língua Portuguesa no mundo e à dilatação do conhecimento da nossa cultura e do nosso património -desde Luís de Camões a António Sérgio, de Vasco da Gama e de outros nautas portugueses a Agostinho da Silva, de João de Deus a Vitorino Nemésio, ou de Fernando Pessoa a Amália Rodrigues e aos nomes incógnitos dos leitores de português nas universidades estrangeiras - difícil se nos tornou escolher um nome qualquer para este trabalho. Quase que ao acaso, optámos por alguém nascido em Lisboa nos primórdios do século XVII.

 

Embora tivesse largado o chão natal muito cedo, com pouco mais de sete anos de idade, rumo ao Brasil, acompanhando seus pais que para lá emigraram, ali começou os seus estudos e aos quinze ingressava, por vocação religiosa inabalável despertada por um sermão que ouvira, no noviciado da Companhia de Jesus.

 

Vocacionado para o estudo das humanidades, já aos dezassete se atrevia a debruçar-se e comentar textos de Séneca e de Ovídio e, logo após, dissertar sobra a Bíblia e acerca da doutrina emanada do "Cântico dos Cânticos".

 

Aluno de excepcional craveira na disciplina de filosofia, os seus superiores tiveram que impedi-lo de se votar à evangelização dos pagãos, por lhe reconhecerem asas mais largas para as abrir ao mundo inteiro.

 

O Padre António Vieira que ascendeu ao sacerdócio com vinte e sete anos de idade, passou, desde então, a leccionar teologia numa sequência natural dos sermões que já então proferia com louvor dos seus mestres que chegaram ao ponto de dizer que nada tinham para lhe ensinar.

 

Aliava à dimensão dos seus conhecimentos e ao carisma da sua eloquência um talento enorme na oratória que logo às primeiras palavras prendia quem o escutava.

 

Naturalmente que, deste modo, é fácil de adivinhar o quanto o seu nome se projectou para fora do Brasil, levando aos confins do mundo a sua língua-mãe e a sua mística doutrinária.

 

O nome de Portugal que, já antes, vinha sendo divulgado pelos nautas de Quinhentos, em África e no oriente, mormente nos padrões afixados nos territórios que se iam descobrindo, exibindo as armas da lusa gente, viu-se, pela riqueza da escrita e pela luz das palavras proferidas por aquele sacerdote, ainda mais elevado no conceito universal.

 

Se uns plantavam um monumento de pedra ... Vieira semeava palavras no espírito. E foi raiz! E foi tronco! E foi flor da Língua que os portugueses, ainda hoje, continuam falando!

 

O Padre António Vieira, falecido há mais de 340 anos - por toda a obra que deixou, por toda a divulgação que fez da nossa Língua, pela força da riqueza da sua palavra ainda viva na nossa História - tal como Camões ou como outros tais, não morreu.

 

Há gente que tem o dom da imortalidade. Vieira é um deles.

 

 João Baptista CoelhoJoão Baptista Coelho

 

(trabalho apresentado em 2010 aos XI Jogos Florais do ELOS CLUBE DE TAVIRA, ao qual foi atribuído o 1º Prémio na modalidade de Prosa/Biografia)

 

(*) http://www.google.pt/imgres?imgurl=https://1.bp.blogspot.com/_HUi9w1vimO8/R62ZgcQnSSI/AAAAAAAAAFU/fRzwESmEhGY/s400/Padre%2BAnt%C3%B3nio%2BVieira.jpg&imgrefurl=http://embaixada-portugal-brasil.blogspot.com/2010_10_31_archive.html&usg=__STljL4lB2i3wWDb-4okeU0OrSWE=&h=217&w=267&sz=8&hl=pt-pt&start=0&zoom=1&tbnid=EEq1lz8-phA98M:&tbnh=161&tbnw=178&ei=pbJvTZfbJsWBOq2k4b8G&prev=/images%3Fq%3DPadre%252BAnt%25C3%25B3nio%252BVieira%26um%3D1%26hl%3Dpt-pt%26sa%3DN%26biw%3D1007%26bih%3D681%26tbs%3Disch:1&um=1&itbs=1&iact=rc&dur=452&oei=pbJvTZfbJsWBOq2k4b8G&page=1&ndsp=17&ved=1t:429,r:8,s:0&tx=93&ty=63

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