Segunda-feira, 11 de Abril de 2011

DIÁSPORA JUDAICA EM BARBADOS – CARAIBAS

 

 Barbados

 

RESGATANDO VESTÍGIOS



Michael Stoner, arqueólogo da Carolina do Sul, foi cavar nas imediações da Sinagoga Nidhe Israel, entre as mais antigas sinagogas no Hemisfério Ocidental desde a sua fundação em 1654 por judeus sefarditas expulsos da então colónia de Portugal, o Brasil

Bridgetown, Barbados - Se Baruch Spinoza vivesse hoje, ele teria que engolir as suas palavras. "Nada restava deles, nem mesmo a memória", disse o filósofo do século XVII sobre os judeus da Espanha e Portugal, que durante a Inquisição foram expulsos ou forçados a assumir identidades cristãs.


Mas aqui na capital, Michael Stoner planeava recuperar a casa de um rabino enterrado no estacionamento da sinagoga mas encontrou outra coisa. "Era segunda-feira e eu estava trabalhando sozinho quando dois turistas israelitas caminharam até mim", recorda Stoner. "Observaram por um minuto e em seguida um deles disse: 'micvê" (Espécie de 'piscina' ritual).

Assim foi. Micvê, um banho ritual de purificação do corpo, outrora tão importantes para a vida judaica que a sua construção era uma prioridade maior do que uma sinagoga. Durante as três semanas seguintes, foram retiradas toneladas de entulho e uma escada toda de granito e mármore surgiu, levando até ao banho construído no século XVII. Medindo cerca de 8 por 4 metros, o espaço é pavimentado com granito vermelho, azulejos e ladeada por nichos onde as lâmpadas teriam sido colocadas. A fonte que alimentava o banho ainda está activa e a água ainda pura.

 


"Eu não esperava isto. Nada. Nada", disse Stoner, doutorando na Universidade West Indies - UWI, um dos três campi, cuja sede se situa em Barbados.

 

A escavação, realizada pelo Departamento de história da Universidade, foi somente possível com o apoio da comunidade judaica local e do magnata britânico Michael Tabor e de sua esposa, Doreen, que possuem casa na ilha.


Enquanto a comunidade judaica em Barbados caiu actualmente para apenas 16 famílias, um cemitério ao lado do sítio arqueológico atesta a presença de judeus sefarditas. As inscrições nas sepulturas em português e datas hebraicas marcando o início dos anos 1600, quando os judeus brasileiros especializados no comércio do açúcar foram recebidos na ilha, uma vez que buscavam uma nova cultura de exportação.
"Os sefarditas possuíam o conhecimento tão necessário e capital de base ", disse Karl Watson, arqueólogo e professor da UWI que dirigiu a escavação e pesquisa a vida judaica em Barbados, enquanto recolhe material para seu próximo livro.


No auge do boom do açúcar, cerca de 800 judeus prosperaram no transporte e comércio em Bridgetown e Speightstown. No entanto, até ao século XX, os sinais de sua presença foram todos perdidos.


A escrita privilegia a manutenção da história no cemitério local. Influenciado por instituições sedeadas em Boston (MA), o museu utiliza multimédia interactiva que visa interpretar a vida judaica na ilha desde o início até à actualidade. Entretanto, a escavação continua com a lavagem e catalogação de milhares de artefactos entretanto descobertos, incluindo pedaços de pedra e de um molde de joalheiro. (Reproduções das pulseiras serão vendidas na loja do museu).


Peneirando a terra, Stoner recorda uma escavação que fez na Carolina do Sul, onde descobriu a primeira casa de Charleston, datada em 1678.


"Eu trabalhei em alguns projectos interessantes, mas esta é a descoberta mais importante que eu já fiz ", disse ele.

3 de Julho de 2010

 

http://culturahebraica.blogspot.com/2010/07/resgatando-os-vestigios-da-diaspora.html

 

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publicado por elosclubedelisboa às 09:04
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