Domingo, 20 de Março de 2011

HISTÓRIA EM LISBOA – 3

 

LISBOA DO SOL NASCENTE – 2

 

 

Junto à margem do salgado Tejo, existia um poço de água doce que servia a população ribeirinha. Realidade geológica de clinais e anticlinais que fazem a separação das águas que ainda hoje desperta a curiosidade científica mas que naquelas remotas épocas por certo evocaria misteriosas vontades divinas.

 

Séculos mais tarde, D. Tomás de Almeida, arcebispo de Lisboa, mobilizou cabedais próprios e mandou erigir junto ao Tejo a sua residência pessoal de modo a que se pudesse deslocar de barco até ao sopé da colina em que se situa a Sé. Navegava em vez de ter que penar por veredas dos arrabaldes da cidade ou ter que sofrer das insalubridades típicas de intra-muros. Essa nobre residência, a que o povo passou a chamar de “Palácio da Mitra”, também se servia do dito poço.

 

  D. Tomás de Almeida, 1º Cardeal Patriarca de Lisboa

 

Foi com faustosas mordomias que D. João V conseguiu da Santa Sé que o Arcebispo de Lisboa fosse elevado a Patriarca e à honra cardinalícia mas se essa nova dignidade tanto agradava ao Rei, teve este que providenciar ao Patriarcado os rendimentos que permitissem o financiamento de tanta pompa e cerimonial. Assim foi que a Quinta de Marvila, ampla unidade agrícola sobranceira ao Tejo, passou do património real para o do Patriarcado.

 

 (*)

Palácio da Mitra – por esta porta acedia o Cardeal à praia do Tejo para navegar rumo à Sé

 

Mas D. Tomás de Almeida tinha grande experiência de administração do seu próprio património assim tomando as providências necessárias para que a Quinta de Marvila deixasse o estado de abandono em que se encontrava passando a produzir em conformidade com as necessidades financeiras do dispendioso Patriarcado de Lisboa. Uma das decisões mais importantes que o Cardeal tomou foi a de murar a Quinta de modo a que não mais fosse devassada por “estranhos ao serviço”. Mas teve o cuidado bem cristão de deixar extra-muros o tal poço junto ao rio a que o povo acorria para se dessedentar.

 

E o povo, agradecido, passou a chamar-lhe o "Poço do Bispo". Houvera nesta cidade mais cuidado com as histórias que por ela correm e teria eu encontrado uma imagem do poço que parece estar hoje enclausurado em traseiras de prédio de arquitectura apócrifa.

 

Nada do referido nesta charla é importante mas a História não se faz apenas de Aljubarrotas.

 

Henrique Salles da Fonseca

 

(*)http://www.google.pt/imgres?imgurl=http://marcasdasciencias.fc.ul.pt/imagem/db_marcadasciencias/imagens/reduzido/5032.jpg&imgrefurl=http://www.geocaching.com/seek/cache_details.aspx%3Fwp%3DGC2NMMX&usg=__7RKRdAYLIxo3sLnPCy0FWt_vSZA=&h=218&w=300&sz=15&hl=pt-pt&start=0&zoom=1&tbnid=vAUQt--oaQQrHM:&tbnh=125&tbnw=184&ei=vceFTdnjOZGLswaakeSKBw&prev=/images%3Fq%3DD.%252BTom%25C3%25A1s%252Bde%252BAlmeida%26um%3D1%26hl%3Dpt-pt%26sa%3DN%26biw%3D1021%26bih%3D681%26tbs%3Disch:1&um=1&itbs=1&iact=rc&dur=655&oei=vceFTdnjOZGLswaakeSKBw&page=1&ndsp=23&ved=1t:429,r:12,s:0&tx=100&ty=69

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publicado por elosclubedelisboa às 09:19
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