Sábado, 18 de Junho de 2011

RICARDO SEVERO – 10

 

 

 

DISCURSO EM 3 DE SETEMBRO DE 1968 NA POSSE DE SÓCIO DO
INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DE SÃO PAULO, PELO

CÔNSUL-GERAL DE PORTUGAL

DR. LUÍS SOARES DE OLIVEIRA

TENDO COMO PATRONO RICARDO SEVERO

 

 

PATRIARCA DA COLÓNIA

 

 

Esse amor ao povo português levaria o seu querido companheiro, senhor como ele de sólida cultura, o saudoso Professor Marques da Cruz, a atribuir a Severo o título de Patriarca da Colónia. Dizia Marques da Cruz: «embora apegado aos seus ideais, era tolerante e transigente com todos os patrícios, ostentando no seu aprumo de homem recto a fidalguia do seu garbo cavalheiresco atendendo a todos com o seu afecto e o seu conselho, apontando-lhes, como um guia seguro, a trilha fácil da solução de um problema e acorrendo sempre, de alma franca, aos salões de qualquer agremiação para prestigiar a sua actividade ou glorificar uma efeméride notável da História da pátria».

 

Ricardo Severo via na colónia portuguesa do Brasil um corpo de indivíduos irmanados pelo sentimento da saudade: «Não conheço raça que melhor conserve a respeito a tradição nacional. Como eu admiro e venero estes ignorados trovadores da sua terra natal e como me comovemos seus cantares, tanto mais sublimes e encantadores quanto mais humildes», dizia Severo numa reunião de portugueses.

 

Preocupado sempre com o engrandecimento do Brasil, Ricardo Severo entendia que a missão do português aqui não estava terminada. O português devia continuar a colaborar na constituição étnica da nacionalidade brasileira, integrar essa nacionalidade dos elementos tradicionalistas e contribuir pelo seu esforço para a prosperidade do Brasil.

 

Certo de que uma fé que se não desentranhe em frutos é uma fé inútil, Severo procurou materializar o amor dos portugueses a Portugal e ao Brasil em instituições que servissem às altas finalidades que prescrevia nos seus compatriotas. Sob a sua direcção, a colónia fundou em São Paulo a Câmara Portuguesa de Comércio e as Escolas Portuguesas destinadas a ensino gratuito às classes pobres onde o Professor Marques da Cruz viria a fazer uma grande obra pedagógica.

 

O grande sonho de Ricardo Severo consistiu, contudo, na construção em São Paulo de uma «Casa Portuguesa^, «a casa de toda a colónia e dentro da qual ela caiba em torno de uma só lareira»; um só lar que simbolize a Pátria, onde cada um encontre, para a sua saudade e o seu amor, carinhosa e mútua correspondência entre irmãos e na mais afectuosa e pacífica comunidade».

 

 

O seu sonho não pôde ter imediata realização dados os dissídios que sobrevieram na Colónia com o advento do regime Republicano em Portugal. Só mais tarde, resolvidos os conflitos políticos que dividiram os portugueses, foi então possível reunir à volta da ideia de Ricardo Severo o grupo de boas-vindas que permitiram a realização da obra. Ela aí está materializada nesse edifício da Avenida da Liberdade, com uma fachada portuguesa, com as portas grandes para nelas caberem quantos quiserem entrar e o amplo salão capaz  de abrigar as reuniões magnas dos portugueses de São Paulo, em ambiente evocativo da sua Pátria, das suas grandezas e, também, do que nela é humilde e poético.

 

Era esta a genial concepção de Severo em relação à Colónia. Não se tratava de separar portugueses de brasileiros mas tão-somente de permitir ao português mitigar a sua saudade e assim amar melhor o Brasil. Para Ricardo Severo, o «imigrante português não tem aqui um objectivo diferencial; a sua missão é brasileira por natural e forçosa afinidade sem que, por esse facto, deixe de ser essencialmente portuguesa».

 

(continua)

 

 Luís Soares de Oliveira.bmp Luís Soares de Oliveira

publicado por elosclubedelisboa às 10:12
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