Terça-feira, 10 de Maio de 2011

RICARDO SEVERO – 3

 

 

DISCURSO EM 3 DE SETEMBRO DE 1968 NA POSSE DE SÓCIO DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DE SÃO PAULO, PELO CÔNSUL-GERAL DE PORTUGAL DR. LUÍS SOARES DE OLIVEIRA TENDO COMO PATRONO RICARDO SEVERO

 

 

 

POLA GREY

 

 

O manancial de documentos que Herculano reuniu na «Portugália Monumenta Histórica», sem contudo os devassar por considerar que os factos por eles descritos tinham pouca ou nenhuma afinidade com a Nação portuguesa, fenómeno, a seu ver, inteiramente moderno, interessou contudo aos espíritos da nova geração. Curiosos e irreverentes, quiseram verificar até que ponto a asserção do mestre era válida. Alberto Sampaio avança no estudo documental do passado que Herculano respeitara e dá-nos o primeiro quadro da vida social do período pré asturo-leonês na sua obra decisiva «As vilas do Norte de Portugal». Entretanto, Carlos Ribeiro, o ilustre geólogo português, faz no vale do Tejo as primeiras descobertas de vestígios da vida pré-histórica em terra portuguesa.

 

Começa então a formar-se uma equipa de pesquisadores que se reúne em torno de Carlos Ribeiro. Ricardo Severo, ainda muito jovem, estudante de Engenharia na Academia Politécnica do Porto, mas senhor de profunda precocidade intelectual, surge na primeira linha.

 

A Severo interessava o estudo sistemático da génese da individualidade da cultura do povo português e não podia admitir, como Herculano, que a Nação Portuguesa derivava do fenómeno político da criação do Estado, o que lhe atribuiria, consequentemente, radical asturo-leonês. Severo pressentia que a Nação existira antes do Estado; as profundas modificações nacionais só poderiam entender-se pelo estudo científico da formação cultural do seu povo. Para Severo, no povo e na sua índole especial, estava a explicação do fenómeno português, a força da sua independência e vitalidade e, consequentemente, o penhor do futuro da Nação. Daí, adaptar para seu lema «Pola Grey», em invocação daquele Príncipe Perfeito que na História se chamou João II, o qual, cioso da grande tarefa a si cometida de erguer a pátria lusitana, até ao ponto mais acumiado da civilização mundial, se amparou, para tanto, exclusivamente na sua grei.

 

Vemo-lo partir aos 18 anos à descoberta da citânia de Briteiros. Em 1888, com 19 anos apenas, publica «Paleontologia Portuguesa», em que audazmente critica os trabalhos apresentados em Paris por Cartailhac. O Ultramar interessa-lhe também e em 1890 publica na Revista de Ciência Naturais o seu estudo «Primeiros vestígios do período neolítico em Angola».

 

Compreendendo, no entanto, que tarefa tão ingente como o estudo da etogenia do povo português só poderia ser levada a cabo por uma equipa, funda em 1899, com Rocha Peixoto e Fonseca Cardoso uma revista destinada a reunir os «materiais para estudo do povo português». Apareceu assim a famosa «Portugália», deslumbramento dos seus contemporâneos e que, em breve, ganharia foro de Revista conceituada em todos os meios científicos. A «Portugália» constitui ainda hoje o mais rico repositório de dados sobre as origens e o carácter do povo português.

 

(continua)

 

Luís Soares de Oliveira.bmp Luís Soares de Oliveira

publicado por elosclubedelisboa às 00:25
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